Câmara de Maracanaú retoma atividades com presidente preso

Na semana seguinte à deflagração de duas operações que resultaram na prisão de Carlos Alberto Gomes de Matos (DEM), vereadores relatam um cenário de incertezas. Nesta segunda, a Casa realizou a primeira sessão com presidente interino

Legenda: Operações do Ministério Público e da Polícia Civil foram deflagradas na última terça-feira (10)
Foto: Foto: Ricardo Mota

Uma semana após a deflagração das operações "Fantasma" e "Sued", por parte do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil, o cenário político na cidade com o segundo maior PIB e quarta maior população do Estado segue cheio de incertezas. Após o encerramento da sessão desta segunda-feira (16) na Câmara Municipal de Maracanaú, a primeira comandada pelo presidente interino, Demir Peixoto (PL), vereadores tinham mais dúvidas que respostas a respeito da situação de Carlos Alberto Gomes de Matos (DEM), presidente da Casa, preso desde a última quarta-feira (11).

"A gente não tem nenhuma informação, porque o processo corre em segredo de Justiça. O que temos que ter é cautela e tomar as providências necessárias para que possamos trabalhar com harmonia, paz, serenidade e, principalmente, com transparência à frente dessa Casa Legislativa", afirmou Demir Peixoto.

O presidente da Câmara está detido na Delegacia de Capturas (Decap) desde que se apresentou para audiência de custódia. Sem acesso a detalhes das investigações, os vereadores têm mantido o foco no cumprimento do Regimento Interno. O afastamento de Carlos Alberto deu início a pressões por uma nova eleição, possibilidade descartada pela Procuradoria da Casa.

"O presidente foi afastado temporariamente das funções. Só podemos tomar a decisão de uma nova eleição com a cassação do seu mandato e vacância do cargo. Nós recebemos a denúncia do juiz da 1ª Vara Criminal do nosso município e, na quarta-feira mesmo à tarde, tomamos todas as providências, depois de conversar com o procurador", disse o presidente interino após a sessão em que leu o termo de posse.

Vereadora de oposição, Silvana Maciel (PHS) também evita entrar no mérito do caso, já que só teve acesso a informações preliminares. Apesar disso, não esconde o mal-estar provocado pela prisão de um colega de Parlamento. "Politicamente, foi uma vergonha para a cidade estar, hoje, ocupando as páginas policiais. Aqui na Casa, nossa posição é de cautela, já que o processo corre em segredo de Justiça".

Operações

A Operação "Fantasma" investiga desvio de verba por meio da contratação de funcionários fantasmas e pelo esquema de "rachadinha", em que o parlamentar fica com parte do salário dos assessores. Já a Operação "Sued" investiga crime de lavagem de dinheiro, por meio de uma empresa de locação de veículos do município contratada pela Câmara. Além de Carlos Alberto Gomes de Matos, foram presas outras duas pessoas.

Ambas seriam "laranjas" do presidente afastado. Uma delas, familiar do vereador. Além disso, 13 assessores ligados a ele foram afastados das funções. Também foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, vários deles na própria Câmara Municipal.

Submetido a audiência de custódia no dia seguinte à deflagração das operações, Carlos Alberto teve a prisão temporária, com prazo de cinco dias prorrogável por mais cinco, convertida em preventiva, sem prazo pré-estipulado. Representante legal do vereador, o advogado José Raimundo Andrade tenta a conversão para prisão domiciliar. "Ele tem problemas de saúde, endereço fixo e bons antecedentes. Além disso é apenas investigado, ainda não foi denunciado pelo Ministério Público", alegou o advogado.

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