Brasil estreita elo com EUA após crise na Amazônia

Jair Bolsonaro volta a criticar Europa, enquanto o filho Eduardo e o chanceler Ernesto Araújo se encontram com Donald Trump na Casa Branca, reforçando a sintonia com os EUA sobre a emergência ambiental dos incêndios

Legenda: Jair Bolsonaro disse que não vai mais usar caneta Bic, porque a fabricante é francesa, em mais uma provocação ao presidente Emmanuel Macron
Foto: Foto: PR

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a maneira como a Europa tem abordado a questão dos incêndios que ainda estão ocorrendo na região amazônica, enquanto seu ministro das Relações Exteriores disse que o Brasil está "em sintonia" com os Estados Unidos, depois de ser recebido pelo presidente americano.

"A Europa toda junta não tem lições para nos dar no tocante ao meio ambiente", afirmou Bolsonaro a jornalistas na saída de sua residência oficial em Brasília. Bolsonaro acusa a Alemanha e a França de tentarem "comprar" a soberania do Brasil após o G7, bloco que reúne as maiores potências ocidentais, ter oferecido US$ 20 milhões em ajuda para combater o fogo.

O chefe de Estado brasileiro se negou a receber ajuda até o presidente francês, Emmanuel Macron, retirar os comentários críticos sobre sua maneira de abordar a questão e a sugestão de internacionalizar a proteção da Amazônia. Ontem, Bolsonaro prometeu parar de usar canetas Bic porque a marca é francesa.

À tarde, Bolsonaro informou pelo Twitter que teve "uma conversa bastante produtiva" com a chanceler alemã, Angela Merkel, e que ela "reafirmou a soberania brasileira" na região amazônica.

Assim como Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão culpou interesses comerciais pelas críticas de Macron à gestão na Amazônia.

"O presidente francês enfrenta problemas internos, o acordo Mercosul-UE atinge produtores franceses, é a nossa agricultura chegando na União Europeia. É um gigante avançando", disse Mourão.

Segundo Mourão, o Brasil não vai aceitar ingerências como essas, mas vai buscar o equilíbrio nas relações. Em meio a essa polêmica, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o filho do presidente e possível futuro embaixador em Washington, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, tiveram um encontro com presidente dos EUA, Donald Trump, ontem, na Casa Branca para abordar a emergência ambiental provocada pelos incêndios.

Novos focos

No Estado de Rondônia, onde os esforços de extinção de incêndios se concentraram inicialmente, foram registrados 67 incêndios novos na quinta-feira, quase três vezes mais que no dia anterior. A Polícia prendeu três pessoas por queimarem mais de 5.000 hectares em uma área de conservação no Estado do Pará.

Até aqui neste ano, o Brasil registra um total de 87.257 incêndios, segundo as últimas cifras do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Quase 1.500 dos novos incêndios avançam sobre a extensa bacia do Amazonas. O total deste ano é o mais alto desde 2010, quando foram detectados 132.106 incêndios em todo o País em igual período.

Um estudo do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam) mostrou que os municípios com mais incêndios são aqueles onde houve o maior desmatamento.

"A incidência de incêndios na região amazônica está diretamente relacionada à ação humana e as chamas geralmente seguem a trilha do desmatamento: quanto mais desmatado, maior o número de fontes de calor", diz o Ipam.

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