Análise: liberar FGTS tem 'efeito temporário' e aproveita 'clima de otimismo na política'

Opinião de Inácio Aguiar
Editor de Política do SVM

Animado com a reforma da Previdência, aprovada com boa margem de votos (ainda falta a segunda votação na Câmara e a discussão no Senado), o governo federal está prestes a apresentar uma nova medida que tenta resgatar o crescimento econômico, que é a liberação de saques do FGTS. 

Após um primeiro semestre turbulento, marcado por crises políticas, o governo precisa apresentar uma agenda propositiva na área econômica para aproveitar o clima de otimismo na política e no mercado.

A liberação dos saques do FGTS, de forma extraordinária, é uma intervenção política do governo em busca de aquecer a economia. Um instrumento já usado em outros governos, como o de Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2017.

Ocorre que medidas como essa, geralmente, têm efeito temporário e reduzido.

Os problemas econômicos, que precisam ser resolvidos com decisões políticas, são, na maioria das vezes, sistêmicos, necessitando de medidas de curto, médio e longo prazos.

A aprovação (ainda parcial) da reforma da Previdência, o início da tramitação da reforma Tributária - que deve ser prioridade no Congresso no segundo semestre - e o clima de colaboração de deputados e senadores nessas medidas de longo prazo abrem espaço para que a equipe econômica implemente pequenas medidas como a liberação do FGTS como parte de um plano maior.

Assim precisa ser vista essa medida.


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