AGU segue Moro e diz ser contra federalização do caso Marielle

A Advocacia-Geral da União (AGU) se posicionou contra o deslocamento da competência da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco para a Federal, em sintonia com os novos argumentos do ministro Sérgio Moro

Legenda: Ministro Sérgio Moro mudou de ideia e agora se manifesta contra federalizar investigação
Foto: Foto: AFP

Um dos casos explorados pela oposição para desgastar o presidente Jair Bolsonaro - o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (Psol) - ganhou um novo capítulo. A Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestou contra o deslocamento da competência da investigação da execução da vereadora e do motorista Anderson Gomes da esfera estadual (Rio de Janeiro) para a federal.

No documento enviado ao Superior Tribunal de Justiça na segunda, a AGU usa argumentos enviados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Sérgio Moro. A mudança de competência foi solicitada pela ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge, antes de deixar o cargo, em setembro de 2019. O STJ deve julgar este ano o pedido.

Moro chegou a se manifestar pela federalização no ano passado, mas mudou de opinião após o posicionamento da família de Marielle.

Em novembro, familiares da vereadora pediram que o caso seguisse no Rio, pois confiam nas investigações do Ministério Público estadual e temem interferência do Governo Federal, como explicado em carta ao STJ.

Em entrevista na noite de segunda-feira no programa Roda Viva, Moro disse que mudou de opinião após saber da posição da família de Marielle e afirmou que o Governo Federal e Bolsonaro são um dos maiores interessados na elucidação do crime.

"O Governo Federal é o maior interessado em elucidar esse crime. O Governo Federal é cobrado por fóruns internacionais até politicamente por essa apuração. O presidente é um dos grandes interessados, porque tentaram envolver fraudulentamente o nome dele anteriormente", disse Sérgio Moro.

"Se os familiares das vítimas se posicionam contra e ainda levantando uma hipótese, embora infundada, de que o Governo Federal teria interesse de obscurecer isso, é melhor que fique lá no Estado do Rio com a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio. E eventualmente, nós damos o suporte que for possível para auxiliar as investigações. Mas não tenha dúvidas que o Governo não tem o menor interesse em proteger os mandantes desse assassinato", concluiu o ministro da Justiça.

Se o processo for federalizado, ele sairá da Justiça Estadual e irá para a Justiça Federal. Com isso, a investigação passaria da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado para a Polícia Federal (PF) e para o Ministério Público Federal (MPF).

Família

A viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, disse, ontem, que ficou "feliz" com a nova posição do ministro.

"Fico feliz que o ministro tenha revisto sua posição, e que agora está de acordo com aquilo que nós, familiares, pedimos. Caso futuramente surjam evidências que apontem para a necessidade de federalizar, eu também não me incomodarei em mudar de posição, entendendo que a resolução desse caso é fundamental para a democracia brasileira", disse Mônica, em nota.

"Defendemos, sobretudo, a segurança e a isenção na investigação e esperamos uma resposta para esse crime que completará dois anos sem que se saiba quem mandou matar Marielle. O sentimento de dor e injustiça permanece. Até quando?", questionou ela.

Marielle foi assassinada a tiros no Rio. O caso aguarda solução há quase dois anos.

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