Vice de Ciro diz que ficará neutra em disputa entre Bolsonaro e Haddad

Kátia Abreu afirmou que não acredita no projeto de nenhuma das duas candidaturas e que nunca foi aliada do PT, apesar de ter feito parte do governo Dilma

A candidata a vice-presidente de Ciro Gomes (PDT), senadora Kátia Abreu (PDT), disse que pretende adotar postura de neutralidade caso o segundo turno da corrida presidencial seja disputado entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Ela afirmou, após evento na Bahia, que não acredita no projeto de nenhuma das duas candidaturas e que nunca foi aliada do PT, apesar de ter feito parte da administração da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

"A minha posição pessoal vai ser de neutralidade. Eu não voto em nenhum dos dois. Não acredito nesses dois projetos: nem no do Bolsonaro nem no do Haddad. Nunca fui aliada do PT. Fui ministra de Dilma porque o meu partido na época [MDB] ocupava Vice-Presidência", disse.

Kátia reconheceu que Dilma cometeu erros nas áreas política e econômica, mas disse que ela nunca fez irregularidades e que não se arrepende de tê-la defendido durante o processo de impeachment.

"Eu faria tudo de novo por ela", disse. "Ela é pedetista, na verdade, de coração e de alma", acrescentou, lembrando que a petista já foi filiada ao PDT.

Apesar da resistência de Kátia em relação a Haddad, o PDT já avalia requisitos para um eventual apoio do partido em um segundo turno à candidatura do petista.

A avaliação da cúpula da legenda é de que a união dos dois partidos é natural, mas que é necessário, pelo menos em um primeiro momento, adotar uma postura que imunize a legenda de críticas.

A ideia defendida é de que o PDT faça um anúncio de um apoio sem a imposição de condicionantes, como, por exemplo, a ocupação de cargos ministeriais em um eventual governo, para que não seja acusado de fisiologismo.

Mesmo sem impor condições, integrantes da legenda esperam que os petistas façam acenos, como a incorporação de promessas como o "SPCCiro", programa de renegociação da dívida de cidadãos inadimplentes.

Eles também defendem, mas consideram improvável de que seja feito, um pedido público de desculpas dos petistas por terem atuado para isolar Ciro na disputa eleitoral.

Sob orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT fechou acordos regionais com o PSB, evitando que ele anunciasse apoio ao PDT.

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