Sambódromo, teatros de arena e parque têm energia cortada após Prefeitura do Rio não pagar conta

Desde 2018, a governo municipal da cidade firmou um acordo para equacionar uma dívida que era de R$ 144 milhões com a empresa que gerencia a energia elétrica do Rio

Sambódromo do Rio
Legenda: Desde março, o Sambódromo do Rio funciona como abrigo para pessoas em situação de rua da cidade durante a pandemia.
Foto: Hudson Pontes/Fotos Públicas

A Prefeitura do Rio de Janeiro teve o fornecimento de energia suspenso, pela Light, em 18 das suas unidades administrativas nesta quarta-feira (2) por falta de pagamento.
Entre os equipamentos, há oito lonas culturais, as secretarias de Turismo, Urbanismo e Habitação, centros de artes, o Sambódromo, no centro da cidade, e o Parque Madureira, na zona norte.

A Light afirma que o corte ocorreu por inadimplência. "Os cortes foram feitos apenas em unidades cadastradas na empresa como serviços não essenciais", informou a nota da empresa.

Entre as unidades administrativas que sofreram os cortes de energia há cinco lonas culturais, na zona oeste, e outras três, na zona norte da cidade. O Parque Madureira, que tem 450 mil metros quadrados, e chegou a ficar fechado por quatro meses durante a pandemia, também teve a energia suspensa. Outro local que teve a energia suspensa foi o Sambódromo do Rio.

Desde março, o local funciona como abrigo para pessoas em situação de rua da cidade durante a pandemia. A iniciativa tenta evitar a disseminação do vírus responsável pela Covid-19. A prioridade no espaço era para idosos, grávidas e mulheres acompanhadas de crianças. Após repercussão de que o corte afetaria os abrigados, pela noite a Light religou a energia apenas no local.

Conforme a Light, em outubro de 2018, para equacionar uma dívida que, naquele momento, era de R$ 144 milhões, a empresa e a Prefeitura firmaram um acordo de parcelamento.

"Desde abril deste ano, no entanto, as parcelas do acordo não são pagas. Além disso, desde setembro de 2018, as faturas mensais de consumo da Prefeitura não são integralmente pagas", diz outro trecho da nota.

A Light afirma que cumpriu todos os procedimentos regulatórios antes de efetuar os cortes e que realizou diversas reuniões com o poder municipal em busca da regularização dos débitos. Segundo a empresa, apenas neste ano, houve dez encontros com representantes do órgão.

"Em 23 de julho, em reunião com representantes da Secretaria Municipal de Fazenda, ficou acertado que a Prefeitura apresentaria até 10 de agosto nova proposta de parcelamento da dívida, o que não ocorreu. Esgotadas todas as possibilidades de negociação, a concessionária decidiu então executar o corte", explicou a nota. Procurada, a Prefeitura do Rio disse apenas que não confirma o valor de R$ 144 milhões e informa que vinha mantendo tratativas com a Light, devido à pandemia.

"Esclarece ainda que vem realizando os pagamentos, à medida que os serviços são liquidados pelos órgãos tendo, inclusive, realizado pagamentos a empresa no dia de ontem", informou a prefeitura.

Até a tarde desta quarta-feira (2), a Prefeitura não havia explicado se essas unidades administrativas estavam em funcionamento. O município também não elucidou qual providência vai tomar para resolver o problema.

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