Presidente da Câmara ameniza conflito sobre vacina sino-paulista

Deputado Rodrigo Maia diz acreditar que o presidente Jair Bolsonaro vai ouvir apelos e recuar do veto à compra de doses da potencial vacina contra Covid-19 desenvolvida por laboratório chinês em parceria com o Governo de São Paulo

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Legenda: Voluntário recebe potencial vacina contra a Covid-19; Anvisa libera importação de doses da China
Foto: AFP

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), amenizou, ontem, o conflito político envolvendo os Governos Federal e de São Paulo e defendeu o diálogo para garantir a autorização da vacina CoronaVac do Instituto Butantan, após a aprovação pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). "O Butantan não é um instituto qualquer. Não foi criado ontem, tem uma história de respeito, de admiração de todos os brasileiros", lembrou o deputado federal.

"Tenho certeza de que com os testes da vacina do Butatan, quando estiver aprovada pela Anvisa, o Governo possa autorizar não somente esta, mas todas as vacinas que forem aprovadas", afirmou, destacando que tem tido um bom diálogo com presidente da República, Jair Bolsonaro.

As declarações foram dadas, ontem, em coletiva com o governador de São Paulo, João Dória, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro questionou a qualidade da CoronaVac e afirmou que o Governo Federal não comprará vacinas da China. O presidente da Câmara, no entanto, espera que o Governo Federal "dê um passo atrás para atender à população brasileira".

"Tenho certeza de que o presidente vai ouvir nossos apelos, e a gente não vai precisar de outro caminho. A gente pode amadurecer, refletir e mudar de posição. Sendo a principal vítima no ano passado das redes bolsonaristas, sempre acreditei que chegaríamos a este ponto em que o diálogo prevaleça em relação ao radicalismo e às agressões nas redes sociais".

China

Maia declarou que não vê problemas nas relações do Brasil com a China, que tem acordo de cooperação com o Butantan para desenvolver e fabricar a vacina. "O Brasil não tem que ter nenhum problema com a China, muito menos com o Instituto Butantan. A China é um parceiro fundamental do nosso País".

O presidente da Câmara não vê problemas no Congresso com relação à China. "A parceria com a China é muito importante, começando com o agronegócio, que tem uma bancada enorme no Congresso". Maia lembrou que o Brasil tem superávit de US$ 29 bilhões com a China.

Ontem, a Anvisa autorizou a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac. A licença, por enquanto, é apenas para importação do imunizante. A distribuição das doses, ainda sem registro, depende de autorização da própria Anvisa. O pedido de importação em caráter excepcional foi feito pelo Butantan.

Testes

A CoronaVac está na 3ª fase de testes clínicos. Atualmente, 9.039 voluntários participam dos estudos da vacina, feitos com profissionais da área da saúde de sete estados. Na fase atual, metade dos participantes recebe a vacina e a outra metade, placebo. Caso a última etapa de testes comprove a eficácia da vacina, o acordo entre a Sinovac e o Butantan prevê a transferência de tecnologia para produção do imunizante no País.

Para comprovar a eficácia da vacina, é preciso que pelo menos 61 participantes do estudo, que tomaram placebo, sejam contaminados pelo vírus. A partir dessa amostragem, é feita então uma comparação com o total dos que receberam a vacina e, eventualmente, também tiveram diagnóstico positivo da Covid-19.

Se o imunizante atingir os índices necessários de eficácia e segurança, será submetido a uma avaliação da Anvisa para registro e só então a vacina estaria liberada para aplicação na população.

Obrigatoriedade da vacina no STF

Após sete partidos (PCdoB, PSOL, PT, PSB, Cidadania, PDT e PTB) protocolarem no Supremo Tribunal Federal (STF) ações sobre vacinação, ontem o ministro Ricardo Lewandowski pediu explicações ao Planalto e adiantou que não vai decidir sozinho sobre os pedidos de liminar, mas enviar diretamente ao Plenário para decisão conjunta, “em razão da importância da matéria e da emergência de saúde pública decorrente do surto do coronavírus”.
Lewandowski foi sorteado para relator. São quatro as ações apresentadas ao Supremo, em meio à polêmica afirmação do presidente Jair Bolsonaro de que não vai autorizar importação de vacinas da China pelo Governo Federal, em discurso que agrada em cheio à ala ideológica do Governo, que prega a não obrigatoriedade da vacinação. 

 

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