"Nada mais pedagógico que a crise hídrica", diz Marina Silva

Durante a passeata, Marina conversou com lideranças dos movimentos sociais e políticos que participavam da manifestação

 A ex-candidata à Presidência da República Marina Silva participou há pouco de uma passeata organizada por ambientalistas para lembrar o Dia Mundial da Água. Em seu primeiro ato público em 2015, a ex-senadora afirmou estar no local "apenas como convidada", ajudou os organizadores a plantar uma árvore e evitou falar com a imprensa.

Instantes antes de deixar o ato, a ex-ministra do Meio Ambiente gravou um vídeo para a Rede Sustentabilidade, partido que tenta criar nos últimos anos. Em sua fala, Marina destacou que o ato em defesa do Parque dos Búfalos, uma área de manancial no entorno da represa Billings, na zona sul de São Paulo, neste domingo, foi organizado pela própria comunidade, em busca de "ajuda e apoio de autoridades e lideranças políticas". "Isso é que é importante. É uma luta local. Minha presença aqui foi de uma convidada", ressaltou.

Ela apontou o risco de desabastecimento de água como um dos fatores que podem contribuir para uma participação mais ativa da população em defesa do meio ambiente. "Nada mais pedagógico que a crise hídrica", disse.

Em um discurso focado na defesa dos recursos naturais, a ex-senadora também apontou a necessidade de se resolver a questão da moradia popular, já que os integrantes do ato desta manhã são contrários à criação de um residencial do programa habitacional "Minha Casa, Minha Viva" no local. "As duas coisas têm de ser compatibilizadas", defendeu.

Durante o evento, Marina assinalou por diversas vezes que não falaria com a imprensa e preferiu que lideranças locais detalhassem os pontos em questão no Parque dos Búfalos. Questionada pelo Broadcast se ela adotará um estilo de oposição mais silencioso, Marina não respondeu.

Dia Mundial da Água

Durante a passeata, Marina conversou com lideranças dos movimentos sociais e políticos que participavam da manifestação. Cerca de 300 manifestantes criticavam a Sabesp, a Cetesb e os governos municipal, estadual e federal pela poluição na represa Billings e pela falta de ações para evitar maior degradação no entorno do manancial.

Eles alegam que a construção de um residencial do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", que teve a implementação autorizada na região, irá afetar a área, que tem 13 nascentes de água.

O vereador de São Paulo Gilberto Natalini (PV) criticou a intenção da Prefeitura de implementar o conjunto habitacional na região. "O prefeito é o 'exterminador ambiental do presente'. Trazer 20 mil pessoas para ocupar uma área de 13 nascentes é um crime ambiental grave", afirmou.

"O (Fernando) Haddad (PT) está atacando todas as áreas verdes que nós lutamos décadas para preservar", disse Natalini, que é presidente da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, da Câmara Municipal da capital paulista.

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