Mourão diz que ameaça a parlamentar é crime

O vice-presidente disse, porém, que o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) relatou as ameaças de forma genérica e que somente o parlamentar sabe dos problemas sofridos.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse nesta sexta-feira (25) que ameaças a parlamentares são crimes contra a democracia. "Eu acho que quem ameaça parlamentar está cometendo um crime contra a democracia, porque uma das coisas mais importantes é você ter sua opinião e ter liberdade para expressar sua opinião", afirmou.

De acordo com Mourão, "os parlamentares estão ali eleitos pelo voto, representam os cidadãos que votaram nele. Quer você goste, quer você não goste das ideias do cara, você ouve. Se gostou, bate palma. Se não gostou, paciência."  Ele afirmou, porém, que o melhor é esperar os próximos capítulos do caso Jean Wyllys (PSOL-RJ), que declarou ter sofrido intimidações e, ao temer pela própria vida, decidiu não assumir a vaga na Câmara Federal.  

"Temos que aguardar quais são essas ameaças, porque ele falou de forma genérica. Quando a gente diz que está ameaçado tem que dizer por quem, como", afirmou. Segundo o vice-presidente, o deputado relatou as ameaças de forma genérica e que somente o parlamentar sabe dos problemas sofridos.  

Questionado sobre a decisão do parlamentar, Mourão respondeu: "Não sei. Não estou na chuteira do Jean Wyllys. Ele é quem sabe qual é o grau confusão que ele está metido". Jean disse que sua situação se agravou após o atentado contra Jair Bolsonaro, em setembro, e que já chegou a ser empurrado mesmo quando seguranças estavam ao seu lado. 

Wyllys afirmou também que encaminhou relatos à Polícia Federal e que a corporação não avançou nas investigações. Para o vice-presidente, não se deve comemorar que um parlamentar da oposição ao governo desistiu do mandato, pois outro deputado contrário ao governo irá assumir a vaga. Deputados eleitos, aliados ao presidente, como Alexandre Frota (PSL-SP), fizeram piada com a decisão. 

Apoiadores do presidente nas redes sociais relacionaram a decisão do deputado do PSOL a uma suposta ligação com a investigação sobre o atentado ocorrido durante a campanha eleitoral. 

Mourão, porém, disse que "em nenhum momento apareceu alguma coisa que ligasse um com outro". Para descrever a atitude dos bolsonaristas, o vice-presidente usou a expressão em inglês wishful thinking, que se refere a desejos e ilusões. 

Antes de falar com a imprensa, Bolsonaro e Mourão se encontraram, discutiram sobre os resultados da viagem do presidente a Davos (Suíça) e sobre os planos para a próxima semana, quando o presidente passará por uma cirurgia para retirada da bolsa de colostomia.  

O vice-presidente deve comandar na terça (29) uma reunião ministerial, na qual o Tribunal de Contas da União (TCU) fará uma apresentação sobre governança.

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