Ministério da Saúde anuncia 20 mortes por Covid-19 em um único dia

Brasil salta de 57 para 77 óbitos confirmados em 24 horas. Ministério da Saúde prevê abril "muito difícil". Governo ainda estuda mudar modelo de isolamento

A crise provocada pela pandemia do coronavírus Sars-Cov-2, nome técnico do vírus mortal que causa a doença Covid-19, atingiu, nesta quinta-feira, uma nova marca: 20 mortes registradas em um único dia pelo Ministério da Saúde, elevando o total para 77 óbitos, incluindo as três primeiras do Ceará. A expectativa é de que hoje o total de casos de infectados supere a marca dos 3.000. Até esta quinta, eram 2.915 casos de contágio confirmados.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, afirmou que a Pasta não fornecerá projeção de qual a estimativa de casos para o próximo mês, mas destacou que não trabalha com a perspectivas de redução dos casos em abril. "A previsão é que nós vamos ter 30 dias muito difíceis. Provavelmente nós estejamos aí na fase crítica da pandemia. Nós não vamos começar a reduzir os casos em 30 dias, nós temos uma estimativa maior para ter a redução dos casos", disse.

Com a média diária de 20 mortes por dia, o Brasil se aproxima de uma nova barreira: a casa dos 100 óbitos. Pessoas com problemas no coração, do sexo masculino e com mais de 60 anos são maioria entre os casos graves e mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil. São pacientes homens 58% dos casos graves e 68% das mortes.

Isolamento

Além das doenças do coração associadas aos casos graves e mortes por Covid-19, diabéticos e pacientes com outros problemas respiratórios, como asma, também inspiram preocupação no País.

"Vocês podem observar que as curvas estão mais elevadas para os óbitos a partir de 60 anos, mas elas ficam muito mais intensas entre 70 anos ou mais. Por isso, a gente está recomendando que as pessoas acima de 60 anos fiquem em isolamento, cumprindo as orientações", disse Wanderson Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde.

Já o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta, que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já concordou com a mudança no formato do isolamento horizontal para vertical como medida de combate ao novo coronavírus no País, mas ainda estuda como implementar a medida.

O modelo defendido pelo presidente considera apenas isolamento para pessoas do grupo de risco, idosos e aqueles com doenças crônicas. Bolsonaro disse que não há prazo para que a transição ocorra, e que poderia até começar hoje.

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