Goiás: PM que quebrou cassetete na testa de estudante é promovido a major

Capitão Augusto Sampaio de Oliveira Neto atingiu com cassetete estudante em manifestação em 2017

Legenda: Mateus sofreu traumatismo cranioencefálico, teve múltiplas fraturas e passou por duas cirurgias
Foto: Reprodução

O governador de Goiás Ronaldo Caiado (DEM) promoveu a major Augusto Sampaio de Oliveira Neto, que em 2017, como capitão, acertou um golpe de cassetete na testa do estudante Mateus Ferreira durante protestos em Goiânia contra as reformas trabalhista e da Previdência propostas pelo então presidente Michel Temer (MDB).

A decisão foi publicada na edição de segunda-feira (17) do Diário Oficial do estado. Sampaio foi promovido por merecimento, ou seja, por reconhecimento de méritos por parte de seus superiores.

Ele ficou no hospital por 18 dias, sendo que passou 11 deles em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O golpe aconteceu em 28 de abril de 2017. Durante manifestações em Goiânia, um grupo de manifestantes entrou em confronto com policiais militares. Um vídeo da época mostra Mateus correndo para se afastar da região de conflito e, então, sendo atingido pelo cassetete, que, com a força colocada pelo então capitão Oliveira Neto, parte-se ao meio.

À época, o então capitão, que também era subcomandante de um batalhão da PM em Goiânia, foi afastado do trabalho nas ruas.

Nas redes sociais, o estudante compartilhou reportagem do blog da jornalista Fabiana Pulcineli sobre o caso e escreveu "o policial que quase me assassinou acaba de ser promovido a major pelo Governador Ronaldo Caiado."

O estudante diz que vê a atitude do governador Caiado como "premiação à violência".

"Um oficial da PM que não age de acordo com o padrão operacional foi promovido por merecimento. A mensagem que o governador passa é a de que está liberado descumprir o padrão e soa até mesmo como uma ameaça aos movimentos sociais, oposicionistas, minorias e todos aqueles que reivindicam seus direitos", diz.

O estudante de Políticas Públicas da Universidade Federal de Goiás afirma que tem como sequelas físicas uma prótese na testa, marcada por uma grande cicatriz; limitações no olfato; e problemas de visão ("uma espécie de sombra que aparece no canto do olho esquerdo").

Ferreira faz questão de ressaltar que seu caso "não é exceção".

"A violação de direitos humanos por parte da polícia é, de certa forma, recorrente. Mesmo que o Estado seja o grande culpado, o oficial que tem uma posição de chefia tem uma obrigação e uma responsabilidade maiores. Quando você não pune e ainda premia um oficial que fez o que fez, você não dá um bom exemplo", completa.

Bruno Pena, advogado do estudante, diz ter recebido com perplexidade a promoção do capitão.

"Se fosse uma promoção por antiguidade eu juro que nem me manifestaria ou repudiaria. Mas trata-se de um oficial que agrediu um estudante que não estava fazendo nada, apenas reivindicando seus direitos", diz.
 


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