Garimpeiros matam dois Yanomami em Roraima, denuncia grupo de DH

Grupo de defesa dos direitos humanos alerta que incidente pode escalar para um "círculo de violência"

Fotografia de índigenas Yanomami
Legenda: Yanomami permaneceram isolados do mundo até a segunda metade do século XX e alguns continuam vivendo no interior da floresta
Foto: Reprodução/Funai

Garimpeiros que se dedicam à extração ilegal de ouro mataram dois homens da etnia indígena Yanomami na Amazônia brasileira, informou nesta sexta-feira (26) um grupo de defesa de direitos humanos, alertando que o incidente poderia escalar para um "círculo de violência".

Os Yanonami, conhecidos por tingir e perfurar o rosto, permaneceram isolados do mundo até a segunda metade do século XX e alguns continuam vivendo no interior da floresta.

O tiroteio mortal ocorreu no começo de junho, mas os informes chegaram esta semana à Polícia no norte do estado de Roraima, quando um homem que acompanhava a esposa em um hospital de Boa Vista, capital do estado, contou a história às autoridades, informou a Associação Hutukara Yanomami (HAY).

O incidente parece seguir um padrão que se dá com frequência no território Yanomami desde a década de 1980, em que os garimpeiros oferecem inicialmente aos indígenas comida e bens da cidade para depois adentrar cada vez mais em sua reserva sem lhes dar nada mais, o que provoca conflitos.

"Tememos que os familiares dos Yanomami assassinados decidam retaliar contra garimpeiros, seguindo o sistema de Justiça da cultura Yanomami, podendo levar a um ciclo de violência que resultará numa tragédia", manifestou-se o grupo em um comunicado.

Os Yanomami têm um longo histórico de conflitos com garimpeiros.

Juntamente com doenças como a malária e o sarampo, os conflitos dizimaram a população Yanomami, que atualmente é de cerca de 27.000 pessoas.

"O assassinato de mais dois Yanomami pelo garimpo deve ser investigado com rigor, e reforça a necessidade de o Estado brasileiro agir com urgência para retirar imediatamente todos os garimpeiros que exploram a Terra Yanomami ilegalmente assediando e agredindo as comunidades indígenas que ali vivem", acrescentou o grupo.