Forças Armadas vão combater queimadas na Amazônia, decreta Bolsonaro

Presidente assina autorização para uso dos militares nas ações ambientais

Legenda: Rondônia é um dos estados do Norte mais castigados pelas queimadas na região amazônica
Foto: Foto: AFP

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou na tarde desta sexta-feira (24) um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que autoriza o emprego das Forças Armadas na Amazônia, que enfrenta uma série de queimadas.

De acordo com o documento, que será publicado em edição extra do Diário Oficial da União, militares poderão atuar em "áreas de fronteira, terras indígenas, unidades de conservação ambiental e em outras áreas da Amazônia Legal".

A validade é de um mês, entre 24 de agosto e 24 de setembro.

Crise mundial

A crise ambiental ganhou dimensões internacionais. O G7 das principais economias ocidentais indicou que pretende dar uma resposta "concreta" aos incêndios durante sua cúpula este fim de semana em Biarritz (França).

"A magnitude dos incêndios é preocupante e ameaçadora não apenas para o Brasil e outros países afetados, mas também para o mundo todo", justificou a chefe do governo alemão, Angela Merkel, por meio de seu porta-voz.

A França e a Irlanda indicaram, por sua vez, que, se o Brasil não cumprir seus compromissos ambientais, o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul pode se ver ameaçado.

Celebridades como Madonna, Ricky Martin, Novak Djokovic e Leonardo DiCaprio acentuaram a pressão e organizações não-governamentais convocaram mobilizações em frente a embaixadas e consulados brasileiros, apesar de muitas vezes usarem fotos antigas ou de outros lugares.

Com gritos de "Salvem a Amazônia" e "Fora Bolsonaro", centenas de pessoas protestaram em frente à embaixada brasileira em Londres.

Dados

Os incêndios no Brasil aumentaram 85% este ano em relação ao mesmo período de 2018. Dados de satélite do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam até 22 de agosto 76.720 focos de incêndio - 1.384 a mais que no dia anterior -, com 52,6% na região amazônica.

Outros 29,8% estão localizados no Cerrado e o restante em outros biomas, como a Mata Atlântica e o Pantanal, em alguns casos com efeitos em países vizinhos como Bolívia e Peru.

O Brasil está na estação seca, quando os incêndios são frequentes, embora especialistas concordem que o aumento acentuado dos focos deve-se ao desmatamento, que também segundo dados do INPE e de outras instituições aumentou exponencialmente nos últimos meses.  

Um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostrou, na quinta-feira, que os dez municípios com maior número de incêndios florestais este ano também são os que apresentam as maiores taxas de desmatamento. 

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, criticou Bolsonaro em discurso por ocasião da Semana do Clima da América Latina e do Caribe em Salvador. "O mundo não tolerará mais uma governança irresponsável sobre a Amazônia (...) negar o aquecimento global não é uma coisa séria, não é uma coisa inteligente", afirmou.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o Brasil