Com mais de 1.100 óbitos, Brasil supera EUA e lidera mortes diárias

Novo recorde de vítimas pela Covid-19 pressiona Governo Bolsonaro, que deve ampliar hoje o uso da cloroquina, enquanto Donald Trump cogita proibir voos para o Brasil: "Não quero pessoas vindo para cá e infectando nosso povo"

Legenda: Líder no Norte, Amazonas tem 1.491 óbitos. Enterros se multiplicam em Manaus
Foto: FOTO: AFP

A divulgação de um novo recorde diário de mortes pela Covid-19, que superou, ontem, pela primeira vez, a marca de 1.000 vítimas em 24 horas, amplia a pressão sobre o Governo Bolsonaro, que deve apresentar novas medidas para conter a letalidade da pandemia do novo coronavírus, como a adoção de um novo protocolo que amplia a recomendação do uso da cloroquina por pacientes, apesar da falta de comprovação científica de eficácia do medicamento.

Na noite de ontem, o boletim divulgado pelo Ministério da Saúde apontou que contabilizados 1.179 novos óbitos, elevando o total para 17.971. Já os casos confirmados saltaram em 17.971, para 271.628.

As máximas diárias anteriores eram de 881 mortes, nível verificado no último dia 12 de maio, e de 15.305 infecções, de 15 de maio.

Pela primeira vez, o Brasil liderou a lista dos países em que mais mortes foram identificadas em 24 horas. O número nacional (1.179) superou os 933 óbitos pela doença identificados nos EUA, segundo o Centro de Controle de Doenças americano (CDC).

Hoje o novo coronavírus é a maior causa de mortalidade no Brasil, superando o conjunto de todas as doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs. Também ficaram para trás as mortes diárias por câncer (624) e aquelas por causas externas, como acidentes e violência (413).

Em reação ao avanço da crise, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, deve assinar hoje o protocolo ampliando a adoção da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. O atual protocolo diz que o remédio deve ser usado só em casos graves da doença. O novo protocolo vai estender para pacientes na fase inicial.

Para o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), não existe evidência científica para recomendar a cloroquina.

Outra medida, já em vigor em diversos estados, caminha para se tornar nacional. Ontem, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou projeto que torna obrigatório o uso de máscaras em locais públicos e privados enquanto durar a emergência em saúde pública provocada pela pandemia de Covid-19. A matéria segue para análise do Senado.

Em um destaque aprovado, parlamentares definiram que a multa pelo descumprimento da regra será definida por estados e municípios.

Trump

O agravamento da pandemia no Brasil levou, ontem, um aliado de Bolsonaro a emitir declarações desanimadoras sobre a situação do País.

"Eu me preocupo com tudo, eu não quero pessoas vindo para cá e infectando nosso povo", disse o presidente Donald Trump, que voltou a afirmar que cogita proibir voos provenientes da América Latina de entrarem nos EUA. "O Brasil está tendo alguns problemas, sem dúvida", reconheceu o líder americano.

Nordeste

O avanço da doença nos nove estados do Nordeste e nos sete do Norte contribui para explicar o novo recorde diário de casos e mortes.

O Nordeste já responde por 34,63% dos casos, enquanto o Norte tem 18,81%. As duas regiões já somam 53,44% dos casos, acima da fatia do Sudeste (39,19%), origem do surto. O Centro-Oeste é a região menos atingida (3,06%).

Histórias de vítimas pelo País

Flávia Aparecida Francisco Negri, 41, tinha no ensino uma vocação. De voz doce, dava as melhores palavras de consolo e incentivo. Morreu em Guarulhos (SP). Já o agricultor Osvaldo Broca, 84, não era de muitas palavras, mas deixou poesia em vida: 15 filhos, além dos netos. Morreu em Ampere (PR). Ana Victor de Andrade, 96, a Nana, deixou história linda de cinco gerações: 8 filhos, 46 netos, 63 bisnetos, 37 trinetos e 1 tataraneto. Morreu em Cruzeiro do Sul (AC). Edson José Cavalcante Maranhão, 80, sempre recebia as visitas com quitutes. Depois, mostrava orgulhoso suas plantas. Morreu no Rio. Aparecida Costalongo da Silva, 72, a Cida, teve um amor na vida: o marido Maneco. Querida como avó, mãe e amiga, sempre estava pronta a ajudar. Morreu em São Paulo. O site Inumeráveis (inumeraveis.Com.Br) conta histórias de vítimas do vírus.


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