Aeronáutica não diz se sargento preso com drogas passou por vistoria antes de embarque

O porta-voz ressaltou ainda que o inquérito militar, instalado na quarta-feira (26), tem prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20 dias, para concluir a investigação.

O Comando da Aeronáutica tem se negado a informar se o segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso na Espanha com 39 kg de cocaína, passou por inspeção antes de embarcar em aeronave de apoio da comitiva do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista coletiva, o porta-voz da FAB (Força Aérea Brasileira), major Daniel Rodrigues Oliveira, foi perguntado inúmeras vezes sobre o assunto. Em todas as respostas, repetiu que o tema está sob sigilo por fazer parte de inquérito policial militar.

Ele ressaltou que o procedimento de segurança adotado pela Força Aérea para missões de traslados prevê vistorias antes do embarque, como a inspeção de passageiros e bagagens, mas não respondeu se foi realizada na aeronave de apoio.

"Especificamente sobre esse caso, é objeto da investigação e está sob sigilo", disse. "Não temos como fazer analogia neste fato, que está em investigação. A praxe é que tripulantes passem por uma revista, existe um controle dos tripulantes e das bagagens", acrescentou.

Segundo relatos de integrantes do governo feitos à reportagem, raramente a tripulação de suporte é submetida a revista policial ou a detectores de metais antes do embarque no Brasil. Após o ocorrido, auxiliares palacianos têm defendido que as Forças Armadas passem a adotar um procedimento de segurança mais rigoroso.

Na entrevista, o porta-voz disse que as Forças Armadas não têm dado suporte ao sargento preso. Segundo ele, o consulado-geral do Brasil em Madri presta assistência consular, mantendo contato com o acusado e com seus familiares. 

O major disse ainda que um vice-cônsul foi destacado para manter contato com as autoridades policiais e judiciárias e visitar o militar detido, acompanhando a sua situação. O governo espanhol também designou um advogado de defesa para ele.

O porta-voz ressaltou ainda que o inquérito militar, instalado na quarta-feira (26), tem prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20 dias, para concluir a investigação. Nos bastidores, a aposta cúpula militar é de que o sargento foi pago para transportar o material para a Espanha, onde o entregaria para um grupo criminoso.

No início da entrevista , o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, fez uma fala dura. Ele disse que as Forças Armadas não admitirão que um criminoso faça parte delas e disse que o sargento será julgado sem condescendência tanto pela justiça brasileira como pela espanhola. 

"Não vamos admitir criminosos entre nós. Nesse caso, houve quebra de confiança e a confiança é própria da cultura militar. Esse lamentável caso é fato isolado no seio dos integrantes das Forças Armadas, que gozam dos mais elevados índices de credibilidade junto à população brasileira", disse. Segundo ele, se for comprovado que o sargento é culpado, ele cometeu uma postura inadmissível e um grave desvio ético e moral.

Segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilha, na Espanha, por transportar cocaína Reprodução Segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilla, na Espanha, por transportar cocaína     
 


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