Abertura do Carnaval no Rio de Janeiro termina com confusão e feridos

Festa aconteceu na praia de Copacabana e acabou com correria e bombas de gás lacrimogêneo arremessadas na multidão, estimada em 300 mil pessoas

Legenda: Confusão aconteceu cerca de uma hora após o fim dos shows e foi filmada por moradores da região
Foto: Foto: Reprodução

O chamado Carnaval de 50 dias do Rio de Janeiro começou oficialmente neste domingo (12), com apresentações da final do concurso do Rei Momo e rainha do evento, o Bloco da Favorita, com convidados como Sandra de Sá, Toni Garrido, Preta Gil e cerca de 300 mil foliões na praia de Copacabana. Os artistas foram os mais celebrados quando entraram no palco montado em frente ao Copacabana Palace. O Bloco da Favorita é conhecido por receber famosos e arrastar multidões pelas ruas do Rio.

Apesar do clima descontraído durante o show, uma hora após o fim do evento, uma confusão tomou conta dos arredores do palco. Houve correria e bombas de gás lacrimogêneo. A Guarda Municipal, que participou do evento com 231 agentes, disse em nota que, no momento da dispersão do público, uma equipe foi atacada por ambulantes com garrafas de vidro, pedras e outros objetos, quando os agentes atuavam para a liberação da via.

De acordo com eles, a equipe "precisou usar equipamentos de menor potencial ofensivo para conter o tumulto nas proximidades do Copacabana Palace". Um guarda ficou levemente ferido.

Pouco antes, a Polícia Militar havia informado que colocou mais de mil policiais na segurança do evento ​e que não houve registro de brigas, ao menos até o início do Bloco da Favorita, às 15h. Em redes sociais, algumas pessoas relataram furtos e brigas durante o evento. O posto médico também registrou casos de mal-estar e de cortes por cacos de vidro espalhados pelo chão.

Em nota, a PM também disse que um homem foi detido com três papelotes de cocaína e maconha. Já um adolescente com mandado de busca e apreensão em aberto foi apreendido. Ainda acabou preso um homem com arma falsa na esquina das avenidas Princesa Isabel com Nossa Senhora de Copacabana, próximo ao local do evento.

Atrações

Preta Gil levou convidados, como Thaila Ayala e outras artistas, e levantou o público com "Turma do Balão Mágico". "O nosso balão é o da diversidade e o do respeito", disse a cantora, para delírio das milhares de pessoas em Copacabana.

Os moradores do Rio de Janeiro ouvidos pela reportagem aprovaram o projeto de Carnaval com 50 dias. A publicitária Camila Cury, 27, espera que a iniciativa possa ajudar na infraestrutura dos eventos de rua. "Eu gosto da iniciativa, embora, mesmo sem apoio da prefeitura, o Carnaval já estaria rolando de qualquer forma, mas espero que com este apoio a estrutura dos blocos, de limpeza e de segurança funcionem melhor, porque eu pretendo começar a celebrar desde já", disse a foliã.

O caminhoneiro Carlos Henrique do Nascimento, 51, foi para a praia de Copacabana com um cartaz que dizia: "O melhor Carnaval do mundo é aqui". Ele afirmou que participa da festa todos os anos e está animado para os 50 dias. "Show de bola. Para quem gosta, agora é só aproveitar. Tem que sair cedo de casa e só voltar à noite", disse o folião, que mora em Nova Iguaçu.

Os vendedores ambulantes de Copacabana também estavam animados. Rafael da Silva, 23, que vende cerveja e refrigerante, já vê aumento no movimento. "Acho que os turistas resolveram ficar. Muita gente ainda não foi embora do Ano Novo. Estou esperando ganhar mais dinheiro", disse o vendedor.

Impasse

Por pouco, porém, o evento não ocorreu. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ajuizou na sexta-feira (10) ação civil pública para obter medida judicial que suspendesse a apresentação do referido bloco.

O MP entendia que o evento não cumpria requisitos legais e regulamentares, o que poderia acarretar risco à segurança da população, com a previsão de 700 mil presentes no local. A Justiça negou o pedido.

Depois de ser proibido no Réveillon carioca, o Bloco da Favorita conseguiu a liberação para a abertura do Carnaval. A Polícia Militar do Rio afirmou, em nota, que decidiu liberar o evento após os organizadores "atenderem às exigências estabelecidas pela Corporação, em especial, a redução do horário."

50 dias de Carnaval

A prefeitura do Rio adotou uma jogada de marketing ao ampliar o período oficial do Carnaval para 50 dias neste ano. A festa acaba em 1º de março e tem dezenas de blocos previstos até lá. No ano passado, contando o pré e o pós-Carnaval, foram 23 dias de folia oficial. Neste ano há mais de 540 desfiles cadastrados, acima dos 498 de 2019, mas abaixo dos 608 de 2018.

A prefeitura aproveitou a estrutura montada para a festa de Réveillon para promover o Carnaval deste domingo. O prefeito Marcelo Crivella (PRB) havia divulgado que, com a iniciativa, teria aumentado de 1,7 milhão para 1,9 milhão o número de visitantes. A expectativa é que a cidade tenha R$ 4 bilhões de movimentação econômica.

Os chamados megablocos, como o Bloco da Favorita, são uma das atrações do carnaval de 50 dias e ficarão concentrados no centro da cidade. Eles começam a desfilar em 2 de fevereiro, com Lexa.

No domingo seguinte, Claudia Leitte será a atração principal. Nos finais de semana subsequentes, são aguardados Chora Me Liga, Bloco da Preta, Bola Preta, Fervo da Ludi e Poderosas. O Monobloco fecha a lista, no dia 1º de março. São os blocos com expectativa de arrastar mais de 200 mil pessoas.

A prefeitura carioca anunciou que no Carnaval deste ano vai disponibilizar 33 mil banheiros, 7 postos médicos, 303 ambulâncias, 858 profissionais de saúde, 475 agentes de trânsito e 1.180 garis. São investidos em média, anualmente, R$ 100 milhões.

Dentro desse valor está um aporte privado. Desde 2011, a produtora Dream Factory, por meio da Ambev, ganhou todas as licitações para bancar equipamentos públicos da festa (cerca de R$ 26 milhões por ano) em troca do direito de negociar verbas de patrocínio. O modelo foi criado na gestão de Eduardo Paes (então MDB).

Na semana que vem estão previstos mais blocos nas ruas da cidade, como o Fica Comigo, na Gávea.

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