Fortaleza e Ceará: comparar não é pecado

Em algumas oportunidades, o Fortaleza de Rogério Ceni foi um time a celebrar o uso do contra-ataque na sua forma de jogar.

Podia ser assim, de maneira perene, pelo fato de ter jogadores de velocidade, como Edinho, Romarinho, Osvaldo e quejandos.

Claro, usou essa reação por necessidade tática. Perfeitamente normal, em vários jogos e até com parcimônia.

Em qualquer situação, os jogadores do tricolor jogam para o treinador, eles próprios e a sua grande torcida.

Foi esse espírito, adoçado com outros ingredientes, que o treinador introduziu no elenco, tornando-o para os adversários um osso duro de roer.

O Fortaleza, ao seu estilo, é ancorado na velocidade de suas ações. No entanto, elas não inibem a capacidade de trocar passes. Isso ficou evidenciado na partida em que o Leão trucidou o CSA.

Ao abrir mão do meia armador de oficio, Ceni prefere o jogador que volta para marcar e aciona o dispositivo da velocidade.

Nem sempre deu certo e, naturalmente, alguns equívocos foram cometidos.

Admito, sem problemas, que outras leituras possam ser feitas do tricolor. Mas, a grosso modo, esta é minha opinião, sem descer a outras firulas táticas tão em moda.

No caso do Ceará, o alvinegro foi tido como um time cujas soluções repousavam nos valores individuais que possui.

Quando Diogo resolveu o problema no gol, não se teve dúvidas que, com Samuel, Valdo, Tiago Alves, Luiz Otávio, Brock, João Lucas, Fabinho, Ricardinho, William Oliveira, Galhardo, Mateus Gonçalves, Felipe Cardoso, Bergson, Leandro Carvalho e mais tarde Felipe Baixola e Wescley, qualquer treinador se daria por satisfeito. Afinal, uma material desse era privilégio.

De Enderson Moreira a Adilson Batista, treinadores que não se mostraram defensivistas, como muitos equivocadamente pensam, as coisas não se mostraram tão resolvidas assim.

Por falta de um nove de oficio, que não fosse apenas “boi de piranha”, os gols escassearam e a ideia de um “falso nove”, também, naufragou.

A esperança de que as mais caras contratações – Leandro Carvalho e Wescley – seriam um encaixe de sucesso, foi para o vinagre.

Enquanto Felipe Baixola ressurgiu, o atacante Galhardo, já reverenciado como ídolo, afundou com más atuações.

Os resultados negativos minaram a estrutura emocional do time e, como se sabe, sem isso, ficam comprometidos o coletivo e o individual.

Abraçar a agonia como companheira e perder a capacidade de propor o jogo, com competência, fizeram o estrago final.

Nunca se sabe o que o Ceará vai ser em campo, entre a euforia descontrolada e o desânimo de Chapecó.

No futebol brasileiro, é clara a mania bovina de se culpar o treinador por todas as desgraças de um time. Mas, na contramão disso, acho que não se deve atribuir aos técnicos os problemas do alvinegro.

Tem muito mais coisas entre o céu e a terra, que o primeiro trago e a ressaca.

Agora, é mirar em São Paulo, Corinthians, Atlético Paranaense, Flamengo e Botafogo, como caminhos da salvação.

Tem que encontrar um jeito de ser produtivo.