Senador, foguetes e gargalhadas

Anos 1960. Acirradas disputas dos cratenses pertencentes a UDN e ao PSD. O advogado paraibano Wilson Gonçalves (1914 - 2000) fez-se chefe político na terra do Padre Cícero, deputado estadual, vice-governador e senador da República.

Hermes Lucas, tio do jornalista e escritor Oswaldo Alves de Sousa (autor de “Combatendo Pelo Crato” e “Tipos e Ditos Populares do Crato de Ontem e de Hoje e Outros Temas”, integrante da UDN), ao contrário deste, pertencia ao PSD.

Solteirão, boêmio e conhecido dada à presença de espírito tornou-se, como o irmão Jorge, personagem folclórica.

Um sacerdote, buscando um dos manos, encontrou o outro e indagou onde o encontraria, pois há dois dias o procurava, deixava recados e nenhum êxito. Resposta rápida. “Arme uma arapuca ali, na Praça Siqueira Campos, bote uma rapariga dentro que ele cai.”.

Rapaz afrodescendente, educado e trabalhador enamorou-se da filha de um comerciante. Este, sabendo da amizade do namorado com Jorge, pediu-lhe que interviesse, em face de achar o namoro “desigual”. Ouviu de pronto: “Se você soubesse quanto o jovem é bom, não reclamava e pintava os seus filhos de preto.”.

Todas as vezes que Wilson Gonçalves chegava ao Crato, Hermes, fiel liderado, posicionava vários fogueteiros em pontos estratégicos do itinerário do parlamentar e o foguetório estrondava durante minutos em sua passagem.

Adversário descobriu que Hermes colocava pessoa, a um 1 km da entrada da cidade que, avistando a comitiva, disparava rojão, como senha para os correligionários, no centro, replicarem.

Assim, um oponente pôs alguém para, duas horas antes, soltar o fogo de artifício, fingindo o aviso.

Como de praxe, ouvido o sinal, estampidos ecoaram, sem a figura da autoridade.

Dizem que, no silencioso trajeto do senador, ouviram-se gargalhadas dos opositores.

De tão queridos, Hermes e Jorge Lucas nominam ruas do Crato.


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