Quando amor vira dor

Como jornalistas, temos diversos papéis sociais a cumprir e um deles é dar visibilidade a um problema que teima em ficar invisível: a violência doméstica. Produzimos uma série de reportagens para alertar sobre este problema extremamente complexo que permanece vitimando muitas mulheres. Contamos as mais diversas histórias que começam com amor e terminam com trauma, sequelas físicas, emocionais e, tantas vezes, morte. 

Na cidade em que nasceu Maria da Penha, mulher que fez o Brasil criar um sistema de proteção para casos de violência doméstica, a Delegacia especializada recebe 30 denúncias por dia. Um contexto que faz Penha alertar: “Nossas mulheres estão morrendo”. Mostramos como o problema é de Polícia, mas que também é de saúde pública e também atrelado à cultura machista tão presente ainda na sociedade. Detectamos que é preciso atendimento para tratar homens doentes e mulheres fragilizadas emocionalmente. É preciso educação para que as gerações entendam que o respeito é obrigatório em qualquer relação. É preciso coragem para fazer as denúncias que colaboram para reduzir o número de vítimas. É preciso oportunidade de trabalho para que as mulheres tenham independência financeira e não precisem se submeter a relacionamentos abusivos. E é preciso que tenhamos empatia, que sejamos solidários, que evitemos julgamentos e saibamos estender a mão às mulheres que sofrem algum tipo de violência. Certamente, existe uma perto de nós. Esse não é um problema privado, íntimo de um casal.

A violência doméstica é um problema de todos, mulheres e homens. Diante de tantas necessidades, mostramos também a força das sobreviventes, que conseguem não apenas mudar as relações, como têm vigor para buscar justiça e ainda fortalecer outras mulheres que enfrentam igual problema. Quanto mais conversarmos sobre a dor, mais amor poderemos ter.


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