Isenção às tragédias

Muito se tem dito sobre ações que seriam iniciadas contra os maléficos efeitos de catástrofes que atingiram nosso País. Observa-se, entretanto, que tudo caminha a passo de cágado, senão, nem isso.

Ocorreu, há algum tempo, o arrombamento da barragem de Mariana e, mais recente, o de Brumadinho. Dispensável dizer que os efeitos foram gravíssimos, colocando os atingidos em situação de geral desabrigo, com seus pertences tendo sido levados pela enxurrada de rejeitos. Sem eco qualquer afirmação de que os danos se resumem a esses resultados. As famílias, mesmo as que não tiveram entes tragados pelas incontroláveis tragédias, ferindo-se e falecendo, convivem com horrível sofrimento, em especial o material. Além disso, não tem havido eficiência, de qualquer modo, objetivando minimizar a indescritível angústia das famílias que perderam sua morada, deixando esta de existir na sua situação física. Seria tudo isso pouco para dar-se prioridade a serviços dirigidos ao cuidado dessas pessoas, colocando-as em situação semelhante a que antecedeu a essas tragédias?

Diariamente, através da imprensa, sabe-se de ações políticas cuidando de assuntos que são de interesse direto de questões de somenos importância, já que não se trata de socorrer famílias sucumbidas por desgraças como essas. O humano deve ter preferência sobre outros interesses, mesmo que esses digam respeito a atividades importantes, mas que não estejam familiarizadas ao humanitarismo. Afora isso, é obrigação exclusivamente pública dispensar especial atenção à população, máxime quando esta foi vítima de forças invencíveis.

Qual norma asseguraria, em situações que tais, primeiro dever-se tratar de tantas outras, mesmo não tendo caráter humanitário? As obrigações são públicas, mas o sentimento é humano. Alerte-se que outras barragens estão em perigo iminente!


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