Low costs: até quando elas vão sustentar preços mais baixos no Brasil?

O Brasil tem se tornado mais uma fronteira para as empresas low costs (companhias de baixo custo) neste ano. Já são três em operação no País: Norwegian, Sky Airlines e Flybondi. A próxima a entrar no mercado brasileiro - já com data marcada para dezembro de 2019 - é a chilena JetSmart. 

Para o Ceará ainda não há previsão para nenhuma delas operar. Pelo menos não oficialmente. O que se tem especulado é que a Norwegian e o Governo do Estado negociavam um voo entre Fortaleza e Londres. Nada concreto. No ano passado, quando a Norwegian solicitou voos para o Brasil, o secretário do Turismo, Arialdo Pinho, disse que a companhia considerava a Capital prioridade

Por enquanto, ela prossegue operando voos apenas entre o Rio de Janeiro e Londres.

Já a Flybondi informou há algumas semanas que tem interesse de voar entre Buenos Aires e Fortaleza e Buenos Aires e Jericoacoara. Também não há nada confirmado. A aérea quer expandir no País, mas tateando o mercado com cuidado.  

E a ultra-low cost JetSmart, que lançou recentemente voos entre Salvador e Santiago, disse que quer Fortaleza no mapa de rotas da aérea. O Governo não foi procurado. Não se tem notícia de nenhuma negociação até o momento. A JetSmart quer pagar para ver como o mercado brasileiro se comporta para então anunciar novos destinos.   

É importante destacar que a chegada dessas empresas ao Brasil muda o perfil de viagens. Apesar de terem tarifas mais baixas - se comparadas às companhias tradicionais -, algumas aéreas cobram até pelo check-in no aeroporto. O passageiro precisa entender que ele vai pagar mais barato pelo bilhete, mas ele vai ter que desembolsar por todos os serviços adicionais, seja bagagem despachada, marcação de assento, comida a bordo, entre outras amenidades. 

É preciso também avaliar se essa expansão é sustentável pois o Brasil, incluindo o Ceará, não oferece condições de operacionalização para as low costs e muito menos competitividade no setor aéreo. 

Enquanto a média mundial com gasto com combustível compromete cerca de 22,5% dos custos operacionais, no Brasil esse volume é de 30%. Diversas entidades do setor reclamam da falta de transparência no País. Criticam os altos impostos. 

Se é barulho que as low costs querem fazer, com certeza estão conseguindo. Uma pesquisa da plataforma de buscas Kayak já constatou que o preço médio de passagens caiu até 23% após chegada de companhias aéreas de baixo custo no Brasil. A Flybondi inclusive já vendeu passagens a R$ 1.  

Porém não se tem certeza até quando elas podem sustentar esses preços mais baixos.

O mercado brasileiro ainda é instável, repleto de regulamentações, impostos elevados para todo lado, entraves de infraestrutura e de operacionalização.

É torcer para dar certo.