Farias Brito, filósofo do Brasil

Raimundo de Farias Brito quis entender o mundo. Entendê-lo para nele estabelecer uma norma de ação. “Se não sei o que sou, nem para que vim ao mundo, não posso saber uma norma de conduta”.

Há quem veja esta Fortaleza de Internet e voos internacionais como província. Imagine-se há mais de cem anos, com galos a cantar de manhã e conversas na calçada. Era nela que Farias Brito tinha pensamentos pouco provincianos. Nascido em São Benedito em 1862, o filósofo estudou no Liceu antes de cursar Direito no Recife e viver também no Rio. Voltou para a capital alencarina e aqui a partir de 1890 começou a parte mais importante de sua obra.

Não improvisava. Naqueles tempos sem livrarias online, encomendava e lia à luz de candeeiros Kant e William James, Bacon e Taine. Lia e analisava. Não se limitava a reproduzir o pensamento dos gênios de outros países e épocas. Dos seus conterrâneos, a muitos criticou como “fonógrafos que vivem a repetir ideias de que não têm a compreensão, nem o sentido”. Tampouco buscava um isolacionismo exótico.

Aos poucos publicou o resultado de suas reflexões. Seu primeiro livro na área foi “A Filosofia como Atividade Permanente do Espírito”, em 1894, seguido de “Filosofia Moderna”. Mudou-se para Belém do auge da borracha em 1902, onde viveu por sete anos. De suas aulas de Direito naquela cidade, nasceu “A Verdade como Regra das Ações”. Depois vieram “A Base Física do Espírito” e “O Mundo Interior”. Morreu no Rio de Janeiro, em 1917, como professor do Colégio Pedro II. Hoje, o portal da editora do Senado disponibiliza gratuitamente as suas obras.

Sempre é tempo de lembrarmos Farias Brito, não meramente porque foi um cearense, mas porque foi um cearense que realizou, em condições bem longe de ser as ideais, um trabalho que se destina a todos. Viveu em Fortaleza, conectou-se com o mundo e criou uma obra que transcende fronteiras.


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