Editorial: Situações opostas

O cenário econômico do País ingressou nesta semana embalado por dois elementos relevantes. O primeiro é a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. A ICF, segundo a entidade, cresceu 0,2% entre setembro para outubro, chegando a 93,3 pontos - a escala é de zero a 200 pontos.

Embora numericamente modesta, essa já é a terceira alta consecutiva do indicador, faltando pouco mais de dois meses para a alta temporada comercial do fim do ano. Se estabelecem, desse modo, projeções mais animadoras para atividades essenciais, que propiciam milhões de empregos.

O outro dado é o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O registro do Icei ficou praticamente estável, alcançando 59,3 pontos em outubro passado. Houve, segundo a CNI, queda de 0,1 ponto em relação a setembro, mas ainda está demonstrado que a confiança do empresariado industrial permanece elevada. Ou, pelo menos, estável.

Especialistas costumam destacar que a ICF e o Icei antecipam tendências da economia. Seriam, assim, fundamentais para estudos indispensáveis ao planejamento e às decisões. A conclusão é de que empresários mais confiantes têm, consequentemente, maior propensão a fazer investimentos, aumentar a produção e contratar trabalhadores. A Confederação da Indústria define essa condição do Índice de Confiança do Empresário Industrial como algo que vai além de sensações e de sentimentos, chegando a se tornar um combustível para acelerar o crescimento da economia.

Não é ainda o melhor dos mundos, mas também não seria correto definir a conjuntura como inadequada. Há, de fato, perspectivas de crescimento em diferentes setores, o que pode implicar ganhos mais amplos para a sociedade. Deve-se, por isso, saudar esses sinais.

Mas pode-se dizer que esses apontamentos econômicos apresentam sinais invertidos em comparação com os da política. Se navegam em mares menos turbulentos, o mesmo não é possível dizer dos trajetos políticos.

É uma contradição que se revela preocupante ao extremo, uma vez que a estabilidade que se busca num meio está distante da que se encontra em outro. E, na balança da Nação, um ponto descambado pode ameaçar o equilíbrio de todo o sistema. Assim, se preponderam as oscilações, mais difícil se torna obter a tranquilidade almejada. É como se houvesse duas dimensões funcionando em paralelo, sem interseções - uma em ascensão e outra em descenso. É que o panorama nas relações entre os personagens do Palácio do Planalto e os dos poderes legislativos federais não tem estado tão plácido como o das melhorias da economia.

Por outra, é devido analisar que fatores considerados positivos têm a força desejada por alguns segmentos para atenuar fatores determinados como negativos. Se esse quadro é capaz de confundir até mesmo experientes observadores de contextos nacionais, quando não os próprios agentes políticos, é de se questionar como o cidadão comum consegue avaliar os significados e os significantes do que se constitui como palavras e como decisões. Essa medida pode ser vital para a nitidez da história.


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