Editorial: Prudência necessária

Ter sempre a prudência como guia é, sem dúvida, a melhor das decisões. Dentre os diversos males que as notícias fraudulentas provocam, aqueles relacionados à saúde já se fizeram notar

O noticiário tem apontado, com apropriada atenção, para o cenário delicado em que se encontra a saúde pública com o surgimento e o aumento de casos de coronavírus - sobretudo em países asiáticos, mas também com possíveis ocorrências registradas em outros países e casos suspeitos, inclusive no Brasil.

Nesse cenário, o presidente da China, Xi Jinping, manteve encontro com diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e garantiu que seu país está lutando contra a propagação do novo coronavírus, além de se dispor a trabalhar em aliança com a entidade para tentar conter a disseminação da nova variante do coronavírus. Mais ainda: assegurou que confia na capacidade de superar a nova infecção, assim como se comprometeu a aplicar transparência às informações divulgadas nacional e internacionalmente.

Palavras do ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, indicam em certa medida o grau de desconhecimento que cerca o assunto, o que inspira cuidado redobrado: "Não se sabe, ainda, qual é a característica desse vírus, que é novo; sabemos que tem alta letalidade. Não é recomendável que a pessoa se exponha e depois retorne ao Brasil e exponha mais pessoas. Recomendamos que, não sendo necessário, que não se faça viagens, até que o quadro todo esteja bem definido". Num contexto repleto de lacunas, como é, sabidamente, o brasileiro, todo cuidado ainda é pouco.

Até aí, então, tem-se uma panorama enquadrado por limites técnicos e políticos. Afinal, somente com cautela, estudos, conhecimentos e conclusões abalizadas, tendo em conta justos e adequados esforços coletivos entre nações, será possível dar termo à sucessão de problemas que surge, ameaçadora, diante do mundo todo. O desafio é planetário, portanto.

É nesse tocante que se destaca a obrigação de cada cidadão e de cada governo. Tem-se atualmente, em escalas inquestionavelmente amplas, acesso a meios de comunicação extremamente rápidos e, julga-se, eficientes. Aplicar essas vantagens à informação qualificada e à orientação precisa torna-se um dever não apenas instituído por leis, o que, por si, já é sério "in extremis" , mas também estabelecido pelo respeito à vida e até mesmo pelo mais elementar instinto de sobrevivência.

O coronavírus não é, pois, o único desafio grave que se impõe. Há, estabelecendo as mesmas intensidade e urgência, o risco que se afigura com a contaminação das relações sociais proporcionada pelas "fake news" -, os boatos alarmistas e a propagação, ainda que com boa vontade, de métodos inúteis ou sem comprovação científica de se prevenirem doenças. E vale notar que uma epidemia, se for mesmo conflagrada, teria reflexos econômicos e ambientais.

Ter sempre a prudência como guia é, sem dúvida, a melhor das decisões. Dentre os diversos males que as notícias fraudulentas provocam, aqueles relacionados à saúde já se fizeram notar. É o caso dos ataques à eficiência das vacinas - ameaçando a imunização coletiva. Saúde pública e informação são indissociáveis, e o poder público precisa estar atento a esta relação, pois, hoje, não se pode cuidar da primeira sem garantir a qualidade da última.


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