Editorial: Socorro à natureza

Há uma lacuna histórica no que concerne à maneira de os homens lidarem com a natureza. Prevalecem a negligência e a crueldade. Faz-se pouco e, quando iniciativas de preservação e cuidado são tomadas, a adesão costuma ser mínima, sem grandes movimentações, se comparada ao vultoso contingente populacional presente nas cidades, estados e países ao redor do globo.

O fato de as temperaturas estarem em desequilíbrio, a qualidade do ar estar cada vez mais comprometida e a multiplicação de fenômenos como tempestades, inundações, ciclones-bomba, entre outros, são apenas alguns dos reflexos diretos de ações antrópicas desordenadas e posturas nocivas.

No Brasil dos últimos meses, por exemplo, a profusão de incêndios – muitos deles criminosos, com grande número de casos registrados no Ceará – e as queimadas no Pantanal revigoram um alerta que há tempos sinaliza vermelho. É preciso parar o quanto antes com tais atitudes e prover iniciativas urgentes de resguardo, com apoio irrestrito dos órgãos competentes e toda a sociedade.

Em notícia recente, se fez conhecer o caso de uma organização da sociedade civil, dedicada à conservação ambiental de área verde na região de Fortaleza, se ver ameaçada de deixar de funcionar, por falta de recursos e, portanto, de apoio. Com o quadro pandêmico, as arrecadações diminuíram, suscitando a necessidade de prover a manutenção de um espaço tão importante para a capital cearense e, consequentemente, para todo o entorno que ela engloba.

Este, inclusive, deve ser o pensamento para que essa e outras casas e programas destinados a cuidar do meio ambiente garantam sua permanência: cada ato de responsabilidade para com a vida natural, por menor que seja, já é um grande passo para o cultivo de novas perspectivas. Assim, vale desde separar corretamente o lixo em casa e não poluir as ruas até participar ativamente de projetos e discussões que envolvam uma causa tão relevante.

O período eleitoral que se desdobra neste momento também é uma oportunidade propícia para a avaliação de propostas que abracem a proteção de áreas verdes e o desejo de solidificação de políticas públicas mais eficazes nesse ramo. Há agendas que, levando em conta pesquisas de opinião, preocupam mais a população. É o caso da saúde, da educação, da segurança pública e do emprego/renda. Deve-se lembrar, contudo, que administração pública tem múltiplas responsabilidades e não só pode como deve atuar em muitas frentes. 

A questão ambiental não é apenas uma tendência, mas uma necessidade, alinhada com uma crescente demanda planetária. Deve-se atentar a ela como meio de promover uma maior qualidade de vida para todos. Deve-se observar o desenvolvimento socioeconômico como aliado dos diferentes ecossistemas presentes no território cearense. Uma vasta geografia merecedora de atos prudentes. Em suma, é preciso incutir na consciência coletiva que cuidar da natureza é ir muito além do lugar-comum. Diz respeito a um modo de se situar no universo e entender que cada coisa está integrada a outra. Quando há uma atenção redobrada no planeta como casa, a vida em sua totalidade – tudo aquilo que respira, muda e transforma – avança em perpetuar sua primordial existência.


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