Editorial: O que esperar de 2020

O ano que se inicia amanhã tem marcas importantes. Para começar, 2020 abre perspectivas para a política municipal, o que tem óbvios reflexos nas composições nacionais. Enxergar com responsabilidade a formação das prefeituras e das câmaras de vereadores é, portanto, um modo inteligente de o eleitor se mostrar influente e respeitado. De outra maneira, corre-se o risco de instituir um vácuo legal, ético e moral que não interessa a ninguém. O novo ano também traz a oportunidade, mais uma, de se estabelecer um diálogo político consequente entre as camadas diversas da sociedade. Em ambos os casos, que são correlatos, o relevo é o mesmo.

Também para 2020, a importância do voto adquire uma reforçada e benfazeja condição. Esperam-se, cumpre observar, acréscimos à pauta frequente de temas subordinados à apreciação do eleitorado. Além de propostas para Saúde, Educação e Segurança, por exemplo, assuntos como inclusão digital e utilização de redes sociais merecem real atenção.

A democracia depende disso, é verdade. Ter, adicionalmente, cautela extrema com a disseminação de notícias falsas e os danos que as chamadas "fake news" podem causar individual ou coletivamente é medida pertinente.

Vale notar: candidaturas construídas às custas de mentiras não são novidades. Ter recursos para repudiá-las é, no fim das contas, uma grave demanda do cidadão.

Acolhê-las nunca foi nem haverá de ser solução para problemas sociais - ao contrário, a história demonstra sobejamente, em episódios diversos, o quanto as mazelas como a desfaçatez, a enganação, a malícia, o tapeamento e a empulhação podem prejudicar o desenvolvimento plural e o compartilhamento de melhorias.

É do pensador norte-americano Noam Chomski (1928), também linguista, filósofo e sociólogo, reconhecido em centros acadêmicos dos mais credenciados, uma leitura muito adequada ao momento atual no Brasil e no mundo - no qual a chamada "pós-verdade" tem potencial para fazer estragos profundos na capacidade de pensar e de agir: "A forma inteligente de manter as pessoas passivas e obedientes é limitar estritamente o espectro da opinião aceitável, mas permitir um debate intenso dentro daquele espectro".

O fazer político tem a capacidade de renovação. Por bem ou por mal, sempre coloca diante do cidadão opções distintas. Saber escolhê-las, alternando o exercício do poder ou mantendo, no comando das decisões, eleitos em outras oportunidades, é uma faculdade do povo, essência da democracia.

Ter discernimento é, acima de tudo, a grande questão. Nesse processo, a educação ganha contornos especiais, tendo em conta aqui o que ensina Paulo Freire - mestre por excelência e autor de método acatado no mundo todo, com merecidos louvores de quem de fato entende do assunto: "A educação, qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática".

Dessa forma, é lícito compreender que não existem coadjuvantes em contextos como o que se formou e se pode antever para 2020. Todos - ressalte-se: absolutamente todos - são protagonistas e assim devem ser tratados. O notável é que se trata de um enredo que se reedita em ciclos.