Editorial: Cautela necessária

Proceder com extrema cautela. A recomendação foi dada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), aos países da região, para que se encaminhe qualquer tentativa de, no tempo certo, fazer a transição das atuais medidas de distanciamento social para outras, mais flexíveis. O olhar se concentra na realidade de 27 países deste lado do mundo, com distintas realidades socio-econômicas e políticas. O número de casos nas Américas caminha para 1 milhão, com mais de 40 mil mortos.

Apesar de mais antigo, o organismo transnacional funciona como representante regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas e faz parte dos sistemas da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU). No mapeamento que faz da região, a Opas assegura que "a Covid-19 ainda não atingiu com toda força a nossa região, principalmente na América Latina e no Caribe, e esperamos que se intensifique nas próximas semanas".

Na avaliação da Opas, as medidas de isolamento social têm dado aos países a oportunidade de se preparar para os dias mais difíceis da pandemia e responder à ameaça da Covid-19. A estratégia visa retardar a proliferação de casos da doença, minimizando a sobrecarga sobre os serviços de saúde. Afinal, os riscos crescem quando não se tem à mão os recursos necessários para tratar pacientes graves. Uma avalanche de novos casos, como é fácil prever, iria exaurir os insumos, equipamentos e pessoal especializado disponíveis.

A autoridade sanitária pan-americana reconhece os transtornos do distanciamento social, suas consequências severas, que vão desde a saúde mental daqueles que observam a medida de isolamento até o impacto na economia, com a imediata onda de desemprego. Contudo, o organismo transnacional alerta, abdicar disso teria como consequência, não apenas um aumento do número de infecções e de mortes dela decorrentes, como um prolongamento da crise.

Antecipando-se ao período de abertura, que chegará, a Opas reforça que este deverá ser decretado tendo em vista informações precisas sobre algumas variáveis importantes: caso dos padrões de transmissão de doenças, capacidade dos testes para o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) e disponibilidade de leitos em hospitais.

O que está em questão - e que deve ser reforçado, mesmo que seja de forma previdente - é a capacidade logística dos países, que precisa ser adequada para garantir a entrega de insumos de diversas ordens, como medicamentos, exames, alimentos e outros suprimentos para suas populações. Aí se inscreve uma preocupação, que abrange todos os países, quanto ao apoio necessário aos mais vulneráveis, para que possam cumprir medidas de distanciamento social sem riscos graves para seus meios de subsistência.

Os alertas da Organização Pan-Americana da Saúde deixam claro que a situação exige respostas integradas e colaborativas. A exemplo dos países, que devem interagir como uma verdadeira comunidade, a sociedade, mesmo em seus microcosmos, deve adotar este espírito colaborativo, harmonioso e consciente, disposto ao diálogo e atento às necessidades do próximo.


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