Editorial: A transição necessária

Pressionado, de um lado, pelos agentes econômicos que desejam o quanto antes reabrir os seus negócios, e, de outro lado, pelo dever de zelar pela saúde da população neste momento de tragédia causada pela pandemia do novo coronavírus, o Governo do Estado tem conduzido as intrincadas questões de maneira equilibrada - a última das quais foi anunciada quinta-feira, 28 - a reabertura, subordinada a um severo protocolo de segurança, de vários setores da economia estadual.

Há dois meses - com exceção daquelas consideradas essenciais, como a produção e distribuição de alimentos e de produtos farmacêuticos e de higiene e limpeza - estão interditadas as atividades da indústria, do comércio, do serviço, do turismo e do entretenimento. Essa interdição teve grave e profunda repercussão econômica e social, pois muitas empresas, máxime as de pequeno porte, já faliram, dispensando milhares de trabalhadores, para os quais o governo da União está repassando em três parcelas uma ajuda mensal de R$ 600.

A partir de segunda-feira, 1º de junho, serão retomadas algumas atividades industriais e comerciais. Durante uma semana - no que o governo do Estado está denominando de fase de transição - observar-se-á o comportamento do público interno e externo das empresas que reiniciarão os seus serviços. Na área da construção civil, por exemplo, o protocolo exige o distanciamento dos operários, além da oferta de álcool em gel e de lavatórios para a constante higiene das mãos. Há, para ser replicado, o bom exemplo dos supermercados e das farmácias, que, mantidos em normal funcionamento desde o início desta crise pandêmica, impuseram regras rígidas para a circulação de seus clientes e colaboradores. Nos supermercados, a boa notícia é que os empregados infectados pela Covid-19 foram tratados em casa, nenhum recorreu ao socorro hospitalar e, curados, retornaram ao trabalho.

Há desafios e expectativas. Por exemplo: como cumprirão esse protocolo os mais de dois mil salões de beleza de Fortaleza, autorizados a reabrir a partir de segunda-feira? Será impossível fiscalizá-los, a não ser por amostragem. E as centenas de pequenas lojas de material de construção espalhadas pelos bairros da periferia da cidade? É por isto mesmo que o governo do Estado estabeleceu esse período de transição, ao longo do qual serão observados os defeitos e as virtudes da decisão de reabrir setores diversos da atividade econômica. As lojas de rua e de shopping permanecerão fechadas, na Capital e no interior do Ceará, mas com a promessa de que isso aconteça na semana seguinte, se a primeira colher bons resultados, e isto tem a ver com o crescimento ou a regressão do registro de novos casos e de óbitos causados pela Covid-19. Neste momento, há fortes sinais de estabilização em Fortaleza. As semanas seguintes confirmarão ou não esta tendência, de acordo com o comportamento dos cidadãos.

Como tudo - em relação a esta pandemia - é novo para as autoridades sanitárias e para todo o governo, o que se faz, no Ceará e nos demais estados, é seguir o que foi executado nos países em que a pandemia deixou a mais trágica estatística, o melhor resultado do seu enfrentamento e a melhor lição de como retomar a vida das cidades, a atividade das empresas e o trabalho das pessoas.


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