A espera do mercado

Custa R$ 50 bilhões mensais o Auxílio Emergencial que o Governo Federal criou e mantém para socorrer cerca de 30 milhões de brasileiros - a maioria trabalhadores informais - que, por causa da pandemia do novo coronavírus, perderam sua renda.

A medida foi necessária, diante do impacto imediato que os negócios, formais ou informais, sofreram com a emergência sanitária e a necessidade de se suspender, temporariamente, atividades laborais consideradas não essenciais.

Diante das imprecisões do cenário futuro, a continuidade do benefício era incerta. Sabe-se, agora, que essa ajuda será estendida até o fim deste ano, mas com um valor reduzido, como projeta o Ministério da Economia, e já foi adiantado pelo presidente da República. Esse socorro já custou R$ 250 bilhões - despesa extraorçamentária que contribuiu para elevar o déficit da Lei de Meios deste exercício para perto de 100% do Produto Interno Bruto (PIB).

Há, pois que encontrar, urgentemente, uma solução que possa garantir o auxílio à multidão dos que dele necessitam e, ao mesmo tempo, evitar o estouro das contas públicas, que vêm deterioradas desde 2015.

A economia brasileira reage, mas de uma forma lenta e insegura, uma vez que a ciência, sem embargo de todas as pesquisas e de todos os testes que se fazem mundo afora, ainda não dispõe de uma vacina que cure a Covid-19. E sem esse imunizante - quer seja ele britânico, russo, israelense, norte-americano ou brasileiro - a atividade econômica não retornará à normalidade, mas seguirá ao solavanco de eventos esparsos, como o aumento de exportações de algumas commodities, destacadamente grãos e proteínas animais para os países asiáticos de bilionárias populações.

Assim, e diante da confirmação de que a queda do PIB deste ano será da ordem de 5,3%, inferior aos 10% previstos no início da crise, a equipe econômica trabalha na elaboração de um pacote social que, além de substituir os atuais programas sociais por um só - já batizado de Renda Brasil - alargue também o seu valor pecuniário.

Em contrapartida, a proposta do Ministério da Economia prevê o fim, entre outros, do seguro defeso, abono salarial e farmácia popular. Tais propostas precisam passar pelo escrutínio do Congresso Nacional, onde serão apreciadas e aprovadas, ou rejeitada. Na política, o governo, por mais forte que seja, não pode olvidar o Parlamento, espaço que abriga as mais diferentes vaidades, as mais variadas correntes de pensamento e, ainda, os mais estranhos interesses. É assim nas democracias: a maioria é que decide.

Em ano eleitoral, os entendimentos entre o Legislativo e o Executivo se configuram como um desafio ainda mais complexo. Sofrem, por certo, a influência das movimentações políticas, em vista das projeções dos novos cenários locais, com a eleição de prefeitos e vereadores.

Atentos aos humores de suas bases, as liderança políticas costumam evitar pautas impopulares, ainda que se faça necessário tratar, sem demora, de algumas delas. Há incertezas no ar, provocadas também pelo atípico momento histórico da pandemia da Covid-19 e de suas muitas consequências, econômicas, políticas e sociais. Posto diante de tantas incertezas, o mercado adia investimentos e aguarda, com dedos cruzados, as decisões da política.