Combate à depressão e ao suicídio

Para muita gente, depressão é apenas um estado de espírito, desânimo, falta de fé momentânea. O problema vai além dessa leitura simplista e estigmatizada que persiste em nossas famílias e em outros ciclos de relacionamento. Depressão é uma doença, um problema de saúde pública. Ela deve ser encarada como tal pelas instituições.

A Organização Mundial de Saúde prevê que já em 2020 a depressão será a doença mais incapacitante do planeta. No Ceará, o aumento de concessão de auxílio-doença em decorrência da depressão aumentou 38,6% entre 2017 e 2018, conforme matéria publicada pelo Diário do Nordeste em abril deste ano.

Uma das consequências mais graves da depressão é o suicídio. Este é outro tabu em nossa sociedade que precisa ser enfrentado. Entre 2010 e 2018, mais de 5 mil cearenses tiraram a própria vida. Apenas a título de comparação: em 2015, morreram no Ceará 32 pessoas devido à dengue, enquanto 565 tiraram a própria vida. É importante ressaltar que esse tipo de ocorrência é subnotificada em virtude do preconceito e da ausência de autópsia psicológica. Ou seja, o problema tem uma dimensão maior do que os números apontam.

Após seminário realizado na Assembleia Legislativa para discutir o assunto no último dia 10 de junho, concluímos que dois pontos são mais urgentes: a necessidade de políticas públicas e de recursos financeiros para combater o problema. Como a pauta é complexa, ela merece uma ação concreta. Colhemos assinaturas de 41 deputados estaduais – de um total de 46 – para instalar uma Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental e Combate à Depressão e ao Suicídio. Assim, pautaremos o assunto de forma sistemática e interdisciplinar junto a atores envolvidos com a questão. O Poder Legislativo está ao lado dos cidadãos cearenses para impedir o avanço desse problema em nosso Estado.


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