Economia avança, mas é preciso melhorar o contexto

Melhora de índices econômicos não refletem toda a realidade do País

O mercado encerra o ano de 2019 um pouco mais aliviado, dados os sinais positivos de retomada do crescimento econômico. Alguns deles são juros em queda, inflação controlada, avanço (ainda que modesto) do PIB, queda do desemprego. São indícios suficientes para sustentar algum otimismo do setor produtivo, principalmente neste fim de ano.

Mas não adianta observar o cenário econômico apenas por uma fresta da janela. 

O recuo dos juros só chegou aos consumidores finais em financiamentos de longo prazo, como o imobiliário. É um começo, mas ainda há muito a se avançar. No mês passado, os rotativo do cartão de crédito e do cheque especial ainda aumentaram, conforme apontou, nesta sexta, o Banco Central.

A inflação está controlada, mas o aumento dos preços das carnes e dos combustíveis, que seguiu a disparada do dólar em novembro, pressionam o custo de vida da população. Particularmente em Fortaleza, onde a prévia da inflação de dezembro foi a maior dos últimos quatro anos

O desemprego desacelerou, mas a taxa de informalidade no País bateu recorde. A situação afeta 41,4% dos trabalhadores brasileiros que, sem a segurança da carteira assinada, não contam com o resguardo da Previdência para aposentadoria ou em caso de doenças, nem FGTS. 

É essa parcela da população, juntamente com a de 11,6% de desempregados, que mais sentirá dificuldades para se aposentar - ainda mais com as novas regras aprovadas pelo Congresso.

Mas um dos principais problemas ainda é a retumbante desigualdade social no País, que cresceu ainda mais nos últimos anos. O crescimento econômico precisa caminhar com o desenvolvimento social.

Fora isso, não dá para esperar boas novas quanto a questões ambientais em 2020 após observar o que aconteceu neste ano e a reação do Governo. Queimadas na Amazônia, aumento do desmatamento, petróleo nas praias do Nordeste, desmonte da ciência, incentivo a garimpeiros. Um significativo retrocesso ambiental.

Índices econômicos positivos dão mais fôlego para a confiança do setor produtivo e para a retomada econômica, mas não se pode deixar de lado o contexto desses avanços.