Onde dinheiro demais é problema

Confira a coluna desta quarta-feira (3) do comentarista Wilton Bezerra

O príncipe saudita Monhammed Bim Salman sorri em foto
Legenda: O príncipe saudita Monhammed Bim Salman comprou o Newcastle, um clube de futebol da Inglaterra
Foto: divulgação

Pressão, posse de bola, profundidade, amplitude, mobilidade e intensidade são tudo que se busca em um futebol de desempenho.

Quem pode ter jogadores para realizar tais tarefas, em alto nível?

A pergunta é até inocente.

Claro, que trata-se de um time, cujo “proprietário” é o príncipe saudita Monhammed Bim Salman.

Ele lidera um fundo de investimentos do governo de seu país, é apontado como responsável pelo assassinato de um jornalista norte-americano e dono de uma fortuna que ninguém foi capaz de calcular.

Pois a compra do Newcastle, da Inglaterra, por esse príncipe está causando o maior rebuliço no futebol inglês.

O medo dos bretões é que a inflação dos salários e a compra de jogadores possa corroer os alicerces do organizado campeonato deles.

Dinheiro demais, como fator de desequilíbrio nocivo de forças, além da possibilidade de mancha na imagem do bom ambiente esportivo, em função da má fama do príncipe.

Pode-se se dizer que futebol é negócio e fim de papo.

Mas, não é assim que a banda toca. A partir do momento em que a origem das fortunas pode ser de máquinas que lavam dinheiro, com a perfeição de mafiosos, de capitalistas em intenções pouco esportivas e de famílias que não têm mais onde botar dinheiro.

No Brasil, quando os nossos times deixarem de ser associações sem fins lucrativos e se transformarem em empresas, todos poderão ser adquiridos por fundos de investimentos e quejandos.

Tem um outro aspecto: e se, nessa possível mudança estrutural, os nossos clubes já tiverem virado sucata?

Claro, valerão bem menos na bacia das almas.

Por ver afundados em crises intermináveis grandes clubes como Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Vitória, Santa Cruz e tantos outros, imaginei que o clube-empresa pudesse ser a única saída para um futebol que precisa de uma revolução. Um caminho seguro para a autossustentabilidade.

Agora, sinceramente, tenho minhas dúvidas, por não metabolizar, também, essa história de time que tem dono.

Nesse espectro, poderemos ainda dizer que é o torcedor o verdadeiro dono do time para o qual torce?

Há cerca de um ano e meio, um russo quis comprar o Fortaleza.

“O clube não está a venda”, respondeu o presidente Marcelo Paz.



Assuntos Relacionados