Sistema de pontos corridos ou mata-matas?

Vejo no título de uma crônica de caderno esportivo o seguinte: “Pontos corridos já deram o que tinham que dar”.

Sou forçado a lembrar, sempre, do esforço de quase todo o segmento futebolístico do Brasil no sentido de implantar esse sistema nas nossas competições mais importantes.

Além de mais justo, evita algumas deformações nas fases decisivas dos campeonatos. Um modelo de sucesso adotado pelo futebol europeu.

Basta lembrar que, num determinado certame nacional, acho que na década de 70, um time saído de repescagem acabou sendo campeão brasileiro.

Vários períodos de viradas de mesa e de regulamentos rasgados, impulsionaram a adoção dos pontos corridos.

Como só acontece por essas bandas, observa-se um movimento para mudar esse critério, em favor dos mata-matas, contando com simpatias até mesmo da CBF.

As razões imediatistas apontam para o esvaziamento do interesse pela competição, quando um time dispara na liderança, como aconteceu com o Flamengo.

Ora, isso ocorre em razão de uma coisa chamada competência.

Desconhecem que não é apenas o título que está em jogo, mas vagas na Libertadores, Sulamericana e até na Copa da Padroeira.

Por sinal, seria bom que promovessem antes de qualquer mudança, uma enquete com as torcidas campeãs, para saber o que elas acham do sistema de pontos corridos.

Os principais campeonatos da Europa, são disputados em pontos corridos, no turno e returno

O campeonato inglês, o mais rico do mundo, rende bilhões de libras aos clubes das duas primeiras divisões, sendo disputado da mesma forma.

Os mata-matas, dizem os seus defensores, “são mais divertidos e garantem um melhor resultado financeiro”.

Quem assegura isso ?

Como se sabe, esse critério é mais adequado em copas e torneios nacionais e internacionais.

A questão financeira, pelo menos no futebol brasileiro, tem a ver com a desigualdade na distribuição dos recursos entre os clubes.

Do alto do meu horror às decisões por penalidades, espero que o sistema de pontos corridos continue.

Um verdadeiro campeão tem que percorrer uma disputa em dois turnos. Com todos os participantes se enfrentando duas vezes.

Essa deveria ser uma fórmula universal.