Qual o modelo de clube para o futebol brasileiro?

flamengo
Foto: Luka Gonzales/AFP

Como se sabe, há um abismo enorme de estrutura e qualidade entre o futebol da Europa e da América do Sul.

Como já escrevi em comentários passados, no Velho Mundo, os clubes de futebol foram transformados em milionárias corporações da indústria do entretenimento.

São estruturas jurídicas e empresariais regidas pelo livre mercado.

Os times do vetusto continente foram transformados em verdadeiras seleções e máquinas de fazer dinheiro, ao contratar para as suas competições os maiores jogadores do mundo.

A América do Sul, onde está o Brasil varonil, só tem servido como fornecedora de pé de obra para este verdadeiro circo de Soleil do futebol mundial.

Por aqui, há uma tentativa através de um projeto do deputado Pedro Paulo, de implantar o modelo europeu.

Vários clubes se opuseram, inclusive o Flamengo, alegando a alta carga de tributos que as agremiações passariam a pagar.

Claro que a razão não é apenas essa porque existe uma vasta rede de interesses contrariados nesta possível transformação.

É exatamente aí onde entra o sucesso obtido pelo Flamengo, dentro e fora de campo.

Passando por um severo enxugamento na gestão Bandeira de Melo, durante seis anos, o rubro-negro se valeu desse estágio atual para formar uma poderosa equipe.

Trouxe o treinador Jorge de Jesus, de Portugal, foi feliz na escolha de jogadores como Rafinha, Filipe Luis, Gabigol, Arrascaeta, Bruno Henrique, Gerson e outros, e passou a ganhar tudo.

Essa modelagem do Flamengo passa a ser ambicionada como a última palavra em termos estruturais, para funcionamento moderno de uma equipe de futebol.

Será que é mesmo?

O time de maior torcida do Brasil possui mesmo uma base fundada no pensamento empresarial de transparência e governança, para se ombrear aos gigantes do futebol mundial?

Evidente que não, a partir da constatação de que o rubro-negro continua sendo uma entidade meramente associativa, sujeita a surtos de boas fases como a atual.

Certamente, que é exagerado imaginar que o jogo contra o Liverpool servirá como divisor de águas, baseado no resultado na partida.

Sim, porque no futebol do Brasil ainda somos reféns de resultados, como se uma gestão profissional e responsável não fosse mais importante do que isso.

Gestão ganha títulos e 90 minutos não podem, de forma nenhuma, determinar a continuidade ou não de um trabalho. Ganhando ou perdendo.

Estamos falando do Flamengo, onde as coisas deram certo, como bem poderiam dar errado.

E os outros, como Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Vasco da Gama e quejandos, que vivem em petição de miséria?

Reflitam bem e indaguem se é possível continuar longe dos investimentos, só feitos em equipes com estrutura empresarial e jurídica sustentável.