Poderia ser tão diferente

Com um calendário esportivo de respeito, podem ter certeza que as coisas seriam bem diferentes no futebol brasileiro.

Já foi pior, reconhecemos, quando por volta de novembro e dezembro, não se sabia nada sobre o que estava programado para o ano seguinte.

Nesse ponto, forçoso reconhecer que a televisão teve papel preponderante, quando decidiu pela compra dos direitos de transmissão dos campeonatos.

Com o produto futebol organizado, de forma antecipada, ficou fácil sua distribuição e rígida obediência dos horários e datas de jogos.

Temia-se, vejam bem, o perigo de se criar um público virtual, em prejuízo da cultura de arquibancada, pelo caminho da desmistificação de um futebol mais acompanhado pelo rádio.

Superados esses estágios, enxergamos como grande adversário da racionalidade o excesso de competições e o arrocho de datas.

Não é difícil prever os problemas gerados pela falta de pré-temporadas nos estaduais, com as equipes longe da melhor forma, recrudescendo a discussão sobre suas extinções.

Junte-se, a seguir, Copa América (que não vai interromper o brasileiro), Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 e a briga dos clubes para que seus principais jogadores não sejam convocados em momentos decisivos de competições nacionais.

Quer dizer: perto disso o inferno é fichinha. No final das contas, quem acaba salvando a lavoura do futebol é o torcedor moído de saudades, por quase dois meses sem ver os seus times.

Ah, seria ótimo que a praga do racismo fosse exterminada por completo dos campos de futebol no Brasil.