O lado insuportável do futebol brasileiro

Jogadores em campo e comissões técnicas e reservas à beira do gramado, todos possuídos por um estágio de histeria sem controle, na pressão à arbitragem.

Na direção do jogo, um árbitro confuso e incompetente, desrespeitado em quase todas  decisões que toma.

O VAR, aparato eletrônico indispensável para melhor condução do jogo, demasiadamente intervencionista, a ponto de tirar a dinâmica de uma modalidade conservadora como o futebol. 

Pronto.

Não falta mais nada para a desgraça de uma partida de futebol.

E não adianta o choro dos inconformados, para alterar esse cenário constante, em muitos jogos que acompanhamos nos nossos campeonatos.

Pior do que isso só mesmo as leituras erradas, depois dos jogos, através de jogadores e treinadores, passando a impressão de estarem com as cabeças noutras partidas.

As explicações são tão surreais que parecem ser reais. Jogadores com as platitudes habituais, sempre à espera de que o “professor”  diga algo para mudar o que deu errado.

Interessante no caso é que os jogadores se eximem de qualquer responsabilidade para consertar o que não funcionou, aguardando a solução de quem não joga, só orienta.

Quanto aos treinadores, cujas responsabilidades são superestimadas, não falta o excesso de “tatiquês”, contaminador, também, dos comentaristas esportivos e suas inúmeras mesas redondas.

Aí, é fácil se supor qual vai ser o principal assunto para o debate: a interminável discussão sobre o futebol arte versus futebol de resultados.

Podem contar com o abespinhamento entre os integrantes de tais programas, geralmente, com a retirada abrupta de um deles por se sentir insultado.

Enfim, o que resulta, ao final de tudo, é pouco interesse pelo jogo, em favor de muita prancheta, geometrizações, esquemas e estatísticas ao gosto do freguês.

Não é difícil imaginar o que produz a junção da vaidade com o histrionismo.

É o delírio.

Ah, antes que me esqueça, vamos colocar no ambiente mal humorado do futebol da gente um coisa que imaginávamos superada: a xenofobia misturada à grosseria com treinadores estrangeiros que trabalham por aqui.

Antes, não era assim, como provam as passagens de Béla Guttman, Fleitas Solich, Filpo Nunes e um certo húngaro chamado Dori Kruschner, que introduziu o WM no nosso futebol.

Com a galopante mediocrização das coisas, acabou ficando combinado que jogador de outro país pode fazer sucesso; no caso do treinador, não.

O maestro Tom Jobim tinha razão: “Fazer sucesso no Brasil é uma ofensa”.

E, para fechar o pacote de chatices imposta pelos “malas”, inclua-se  a homofobia, racismo e violência, em torno e dentro dos estádios.

E haja saco!