O futebol e o sentido da paixão

O futebol se transformou numa complexa atividade capitalista, elitizou-se e, paulatinamente, vai se tornando inacessível às classes menos favorecidas.

Vale lembrar que, antes de Charles Miller importar o futebol da Europa, a prática já se dava no Brasil, nas peladas de praia, vindo daí a sua verdadeira origem.

Mas, o futebol como paixão nacional não se restringe aos grandes palcos, onde desfilam os maiores craques do país.

A essência do seu sentido lúdico e de congraçamento está em todas as partes da nação como lugar social, cumprindo o verdadeiro sentido da paixão, para quem joga e para quem assiste.

Sucesso de inclusão num lugar de exclusão, o futebol “fundou” o Brasil, revelando ao longo do tempo suas fraquezas e potencialidades.

Move essas reflexões um olhar sobre o futebol que se pratica nos subúrbios e nas cidades interioranas.

Campos de grama rala ou areia, não importa. É bonito de se ver os movimentos, a festa, a integração, o apoio logístico que as partidas carregam para times e torcedores, em ônibus ou carrocerias de caminhão.

Em redor dos campos, se organizam as bancas de iguarias e bebidas. Ali, não há abundância no relato de violência entre torcidas. A celebração está acima de outros interesses.

Na organização de jogos, cumpre-se o combinado. Em certo tempo, chegou-se a culpar a programação de futebol nos subúrbios pela queda de público do futebol profissional. Besteira grande.

O mais importante: o público assistente não se submete aos escorchantes preços dos ingressos do profissionalismo, nem é obrigado a ser sócio-torcedor.

Tirem um tempinho de suas agendas e experimentem acompanhar o que essa narrativa sugere.