O Clássico e arbitragem em tempos de cólera

Suprema ironia, mas é fato que a arbitragem está se transformando numa coisa estranha dentro do futebol.

O conflito entre juiz de campo e árbitro de vídeo tem se tornado uma constante, para azar da dinâmica de jogo e sofrimento de encolerizados dirigentes e torcedores.

As estúpidas modificações na regra se juntam às “interpretações”, incompetência e covardia dos juízes.

Fortaleza e Ceará estão com os potes cheios de mágoas com os sopradores de apitos que infestam o campeonato brasileiro.

O bandeirinha, por exemplo, antes importante, hoje nos parece ser apenas um gandula remunerado.

No jogo do Fortaleza contra o Corinthians, duas bolas interceptadas com o braço, na área corintiana, foram simplesmente ignoradas pelo árbitro do jogo.

Para desespero tricolor, o árbitro de vídeo foi dispensado de consulta.

Que razões determinam esse estado de erros freqüentes, que parecem ir além do desejo de beneficiar os times de maior tamanho?

O que mais estaria por trás disso?

Essa é a causa da nossa inquietação e indignação.

Como reclamar só gera palestras de Gaciba, Rogério Ceni armou-se da ironia para protestar, depois do jogo, como último ato de resistência.

Alvinegros e tricolores asseguram que, sem arbitragens desastrosas e prejudiciais aos dois, a situação atual seria bem diferente.

Quem examinar a história do clássico Fortaleza e Ceará, certamente não encontrará os dois times tão preocupados com o trabalho da arbitragem.

O torcedor, esse eterno insatisfeito, que bronqueia nessas horas até com lateral mal cobrado ou passe mal feito, tem mais uma razão para ficar pistola.

Mas, vamos lá.

Um clássico, como este de domingo, não pode ser resumido apenas à preocupação com os antigos “homens de preto”.

Os dois maiores rivais do futebol cearense estão próximos um do outro na luta para não cair e igualmente reclamam do número de gols perdidos durante a caminhada, que está por se encerrar.

O Ceará tem mais formuladores a partir do meio-campo.

Já o Fortaleza, opta pela velocidade dos seus atacantes.

O alvinegro tem padecido, ao logo da jornada, de um bom camisa nove.

O tricolor se sente satisfeito com Wellington Paulista, artilheiro da equipe.

Os confrontos pelo estadual e campeonato brasileiro apontam uma vantagem para o tricolor: duas vitórias (2 x 0 e 1 x 0), contra uma vitória alvinegra (2 x 1).

As preocupações com os jogos do meio de semana foram quase colocados em plano secundário, pelo temor do efeito do resultado no clássico.

Nelson Rodrigues sentenciava: “A morte não exime ninguém dos seus deveres clubísticos”.

Por isso asseguramos: até os mortos estarão presentes nesse jogão.

Que a arbitragem saiba disso.