Nostalgia rubro-negra como exercício

Me permitam falar do Clube de Regatas Flamengo, num exercício de memória nostálgica. Afinal, o Mengão está próximo de conquistar, novamente, o Brasil e a América.

Como sabem os meus raros leitores, nostalgia é contemplar a beleza do tempo e das coisas que moram dentro das nossas mentes; diferente de saudosismo que é querer viver no passado.

O que me levou a isso foi o 4 x 4 de Flamengo e Vasco pelo Campeonato Brasileiro, um placar que nos pareceu o único na história do “Clássico dos Milhões”.

Mas, o assunto é o seguinte: tinha eu uns 11 anos de idade, quando fui tomado de paixão pelo Flamengo.

Um amor de calças curtas, num tempo dos padres de batina.

Terminava a década de 5, iniciava-se a década de 60, período em que o rubro-negro não tinha um time à altura de sua força popular.

Ainda assim, conquistou os títulos cariocas de 63 e 65 e um torneio Rio-São Paulo sem muita expressão.

Quem nos fascinava era Carlinhos, Gérson, Jordan, Luiz Carlos, Moacir, Henrique, Dida, Espanhol e Babá.

O adversário mais temido era o Vasco da Gama, apesar do enorme apelo em torno do Fla x Flu, mais por obra e graça das crônicas de Nelson Rodrigues, um fervoroso torcedor pó-de-arroz.

É isso que eu quero dizer.

O jogo que provocava calafrios na criança que vos fala, era o diante do “Gigante da Colina” de Paulinho, Bellini, Coronel, Sabará, Delém, Almir e Pinga.

Tudo acompanhado pelas ondas curtas e de amplitude modulada da rádios Globo, Tupi, Mauá e Mayring Veiga, com o mesmo afinco das crianças de hoje pelos jogos eletrônicos.

Para um companheiro de rádio, antes do jogo do 4 x 4, enfatizávamos que apesar do favoritismo da máquina de Jorge de Jesus, do outro lado estava a tradição das camisas cruzmaltinas vestidas por grandes gerações.

Tenho afirmado, e reafirmado, que as camisas de um grande time, muitas vezes, jogam sozinhas, independente de qualquer forma de apoio

Não deu outra coisa, senão um jogão, dentro das mais puras tradições de milhões de corações e bilhões de emoções. Embora parte da crônica preferisse falar de erros cometidos pelos dois times.

Ao comentarista, restou saborear a beleza da nostalgia em torno de um Flamengo x Vasco da Gama, como nos velhos tempos..

Vivemos no passado e no futuro.

É deles que o nosso presente é feito.