Mais profissionalismo para se manter no topo

No meu itinerário como cronista esportivo, tenho me deparado com todo tipo de dirigente de clube: apaixonados, histriônicos, conscientes, inconscientes, honestos, desonestos, competentes, incompetentes, visionários, vaidosos e amadores.

Estes últimos compõem uma fauna enorme à frente das agremiações.

Para eles, o mais importante atributo de quem dirige uma equipe é o intenso e profundo amor ao clube, fruto de muitos anos de dedicação.

Acho que a banda toca de forma atravessada nesse quesito, em função dos novos parâmetros que cercam o futebol.

Tenho insistido que amadorismo não é amor.

Eu, por exemplo, gostaria, com meus parcos conhecimentos, de treinar o Clube de Regatas do Flamengo, sem cobrar um mísero tostão. Certamente que, se isso se materializasse, o rubro-negro desapareceria da face da terra, em poucas horas.

Então, chega-se rapidamente à conclusão de que isso não seria uma forma de demonstrar amor pelo clube. Pelo contrário, seria uma atitude homicida passível de sérias penalidades.

Por gestões excessivamente amadoras, muitos times pequenos e medianos foram riscados do mapa do futebol ou perderam valor.

Alguns deles, inviabilizados criminosamente, acabaram arrendados a empresários de jogadores, como se fossem casas de forró.

Aqui, bem perto, em Juazeiro do Norte, o Icasa, hoje integrante da segunda divisão cearense, e que quase alcança a primeira divisão do futebol brasileiro, por pouco, não foi destruído pelo amadorismo aliado de gestões deletérias.

O futebol do nosso Estado tem avançado muito em termos profissionais, saindo praticamente do pântano de alguns anos atrás.

Foi-se o tempo em que se ouvia frases como essa: “Dirijo futebol, sacrificando o lazer com a minha família, somente por amor ao clube”.

Não, o futebol, que também é negócio, não comporta esse amor desvairado como base de sustentação.

Recentemente, ouvi de um dirigente do Ceará a seguinte confissão: “Ainda estamos aprendendo como se disputa uma série A”.

Convenhamos, esse tipo de gestor já deveria carregar uma dose apreciável de expertise para evitar experiências e atitudes amadoras que produzem resultados dolorosos.

O amor pelo clube é importante numa gestão, mas precisa se juntar a outros vários componentes obrigatórios no futebol profissional.

Mesmo porque, "o amor é tão breve como a glória da flor".