Elenco com dois times fortes não é luxo

Quando Juan Carlos Osório, treinador colombiano, dirigiu o São Paulo, causou estranheza ao anunciar formações quase totalmente modificadas, de um jogo para o outro.

Ele justificou que esse era o caminho dos times de futebol, diante de um calendário insano imposto aos clubes.

Ainda que se tratasse de uma ideia proposta para um time grande, o São Paulo, muitas vozes qualificadas acharam que isso era um luxo, talvez, pelos custos de se ter duas formações em mesmo nível.

A iniciativa não vingou, mas reconhece-se, agora, que o colombiano estava grávido de razões.

Campeonato Estadual, Copa do Brasil, Sul-Americana, Libertadores e Campeonato Brasileiro, tudo isso enfeixado no mostruário da CBF para ser disputado com o pé embaixo, na aceleração. Para Fortaleza e Ceará, inclua-se a Copa do Nordeste.

Tudo bem que a medicina esportiva avançou, os métodos de preparação se sofisticaram e a saúde melhorou. Só que o rojão aumentou muito e não se pode dançar valsa em tempo de rock. Até parece que os espaços do campo diminuíram e os jogadores, que eram lentos, ficaram velozes. 

Nesse sentido, ótimo perceber que Fortaleza e Ceará estão, inconscientemente, abraçando o paradigma de Osório. Sem que a temporada de contratações tenha sido encerrada, constata-se que o Ceará possui duas formações fortes com sobras de dois ou três jogadores para suplência. No Fortaleza, o mesmo se dá até o setor de meio-campo, além do ataque com Cariús, Wellington Paulista e Osvaldo. O tricolor vai ao mercado com apetite voltado para dois atacantes, no mínimo.

Não se pode imaginar duas constituições rigorosamente iguais, mas chegar perto disso será um feito e tanto. E nem se trata de luxo ou ostentação, mas de uma rota segura na luta contra o desgaste físico e as contusões.

A próxima etapa, depois das aquisições, será dedicada a avaliações dos reforços adquiridos. E, aí, a onça vai aproveitar a oportunidade para matar a sede.

Bom observar, até aqui, que, com considerável grau de certeza (nunca se sabe tudo), Fortaleza e Ceará foram às compras sem o uso indiscriminado do cartão de crédito. Some-se a isso, como fato positivo, um ponto final naquela história de um time diferente para cada competição.

Tricolores e alvinegros entram em 2020, portanto, firmes e fortes para o que der e vier.