Clássico-Rei: Nenhum esquema de jogo prescinde do bom jogador

Por mais revolucionário que seja, nenhum esquema tático sobrevive sem o jogador de qualidade.

Esse recado vai direto para aqueles que imaginam organização de jogo igual à receita de bolo.

Ou ainda: esclarecer que plano pré-estabelecido pelo treinador precisa de boas atuações para a sua consecução.

Nada mais óbvio.

O contexto de jogo é que dita como as bandas devem tocar.

Todo esse arrodeio para falar que, no clássico Fortaleza e Ceará, o gol marcado aos 12 minutos, por Wellington Paulista, pautou o parangolé esquemático.

Ora, o tricolor entendeu que um gol àquela altura era chuva grossa em tempo de estiagem e, já inteirado do 3-5-2 do Ceará, ordenou que os alas – Gabriel Dias e Bruno Melo ficassem na marcação.

Some-se a essa medida o duo de zaga defensivo, os dois volantes, mais o recuo dos atacantes e o bloqueio tricolor consumado.

Vamos explicar aos distraídos o seguinte: o 3-5-2 não é um esquema defensivo; pelo contrário, foi concebido para atacar.

Os dois alas do Ceará – Samuel e João Lucas – tiveram licença para jogar como extremas.

O esquema pode ter um ou dois volantes e, daí para frente, os demais têm obrigações ofensivas.

O Ceará até que teve duas chegadas, com condições de empatar a partida, através de Samuel e Baixola, na fase inicial, mas encontrou dificuldades de entrar pelo miolo de área do Fortaleza.

É nesse tipo de jogo - ataque contra a defesa - que a individualidade é decisiva para o esquema funcionar.

Se pelos lados, apesar do apoio constante de Fabinho, o rendimento foi de razoável para baixo, por dentro, somente a lucidez de Baixola, pois Galhardo voltou a jogar mal.

No segundo tempo, o cenário foi o mesmo e tornou-se necessário que um zagueiro – Luiz Otávio - fosse responsável pela única oportunidade de gol do Ceará.

Com a entrada de Wescley, no lugar de Valdo, o alvinegro voltou à formação de quatro zagueiros.

Levar Fabinho para fazer o lado direito foi normal; só não entendemos a utilização de Samuel como meia.

E, aqui prá nós: Wescley e Leandro Carvalho foram dois riscos n’água e, para Mateus Gonçalves, o sistema fechado do tricolor inutilizou seu papel ofensivo.

Por sonhar com o contra-ataque possível, o Fortaleza colocou Kieza no lugar de André Luís, sempre cansado, e reforçou a sustentação de meio-campo, fazendo entrar Bonilha no posto de Osvaldo.

Depois disso, fechar os espaços e esperar o tempo passar, valendo-se da valentia do time em se defender.

O clássico não foi dos melhores e, diríamos, de fácil leitura, onde a perna pesou.

Colocar um time na defesa é muito mais fácil que colocá-lo para atacar e Rogério Ceni optou por fechar a casa depois de abrir a contagem.

O alvinegro não perdeu por usar esquemas diferentes em cada etapa, embora se saiba que vão culpar o treinador.

Quem podia acrescentar não o fez.