Ah, Flamengo, se outros fossem iguais a você

Para começo de conversa, não se propõem, aqui, que todos sejam rigorosamente iguais na vida e no futebol.

Fomos criados extremamente diferentes e, aí, reside a graça desse negócio de viver.

Em crônicas passadas, reproduzimos um lamento, cada vez mais amplo, a cerca de uma lacuna existente no futebol brasileiro – a falta de um grande time.

Por essa razão, ficamos nostálgicos do Santos de Pelé, do Botafogo de Garrincha, das academias do Palmeiras, do Flamengo de Zico e outras boas formações que vieram a seguir.

Por isso mesmo, embora mantendo-se o interesse do povo pelo futebol, ficamos na dependência do que a seleção brasileira pudesse fazer pela manutenção do nosso prestígio futebolístico.

Localizou-se, aí, o grande erro pela não compreensão de que a célula mater do futebol é o clube, e não a seleção.

Enquanto clubes como Barcelona, Real Madrid, Inter de Milão, Milan, Juventus e Bayern de Munique, por exemplo, internacionalizaram suas marcas, os times brasileiros, no duro, nem sequer nacionalizaram as suas.

Hoje, nossos times não interessam tanto, lá fora, como antigamente.

De repente, ao ouvir o berro dos inconformados com essa situação, desponta o Flamengo, paixão maior do povo brasileiro, com um grande time.

No entanto, é preciso saber se isso é fruto apenas de uma restruturação iniciada em 2013, ou se existe uma gestão realmente responsável e profissional por trás disso tudo.

Como se sabe, o futebol brasileiro não é montado em bases jurídicas e empresariais confiáveis.

Por aqui, não se trabalha com planejamento e metas; não há reconhecimento de que isso ganha títulos.

Basta constatar que um time com a pujança do Flamengo, depois de 38 anos, tempo que mais parece uma travessia do deserto, vai disputar, contra River Plate, da Argentina, o título de uma Libertadores.

De modo, meus amigos, que sugerimos saborear esse momento mágico de um rubro-negro dirigido por um surpreendente português chamado Jorge Jesus.

Variação tática, marcação asfixiante no campo adversário, com impressionante recuperação de bola no ataque, e apetite ofensivo.

Tudo isso consta do modelo de jogo oferecido, além de talentos individuais de sobra.

Seria bom que o nosso futebol tivesse mais times parecidos com o Mengão.