Maioria dos nordestinos está pessimista com recuperação econômica, diz pesquisa

Dados regionais do Radar Febraban, obtidos com exclusividade, apontam pessimismo generalizado no Nordeste

lockdown no Ceará
Legenda: Restrições à atividade econômica por conta da pandemia pesam na opinião dos nordestinos
Foto: Fabiane de Paula

Após a severa piora da pandemia, a maioria dos nordestinos está pessimista com o horizonte econômico. Dados da pesquisa Radar Febraban, elaborada pela Federação Brasileira de Bancos, obtidos com exclusividade pela Coluna, apontam que sete em cada 10 pessoas do Nordeste não acreditam em recuperação da economia brasileira em 2021.

As informações colhidas pela Febraban indicam um azedume generalizado entre os nordestinos quanto à impressão deles sobre os rumos econômicos. Mostra o estudo que 59% dos entrevistados da região acreditam que a situação das finanças da família só deve melhorar no próximo ano. No Brasil, este índice é de 54%.

Desemprego e inflação

Tem mais: 72% dos nordestinos acreditam que o desemprego ainda vai crescer, outro dado acima da média nacional (70%). Oito em cada 10 projetam piora na inflação e no custo de vida, assim como 80% veem um cenário de juro maior neste ano.

“Grande parte das famílias tem ou teve que conviver por um longo período com perdas financeiras, esvaziamento das reservas, redução salarial, desemprego. Diante de tantas dificuldades enfrentadas, não é de estranhar o pessimismo quanto à recuperação financeira das pessoas e do país”, avalia o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe).

Em que o nordestino quer investir?

Passado este período de aperto financeiro, o nordestino pretende aplicar o dinheiro que estiver sobrando na poupança (31%), investimentos bancários (26%) e imóveis (24%).

Gastos com educação e turismo, ambos com 23%, também foram lembrados como prioritários. 

PIX aprovado

Pulando para um terreno de positividade, o levantamento da Febraban apurou que o PIX, sistema de pagamentos do Banco Central, tem caído no gosto da população nordestino.

Em questão de múltiplas respostas, 42% disseram ter feito transferência bancária por PIX; 35% o utilizaram para fazer pagamento; 33% recebem pagamentos com ele e 28% contaram com a ferramenta para receber transferências. 

A nota média atribuída ao PIX na região é de 8,9, numa escala de 0 a 10, igual à nota média nacional. Uma parcela de 40% afirma não ter usado o PIX (acima da média nacional, que é de 38%).

A pesquisa ouviu mais de 3.000 pessoas em todo o País.