Aumento do IOF é mais um trambolho na economia

Sem criatividade para garantir o novo Bolsa Família, Governo apela para velhas e indigestas soluções

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Legenda: Alta do IOF torna mais caras operações de crédito, como empréstimos e financiamentos
Foto: Shutterstock

A decisão de encarecer o crédito para os brasileiros com o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) até o fim de 2021, num cenário de palidez econômica, evidencia a falta de compromisso com a recuperação e cria mais um trambolho na economia.

No afã de garantir dinheiro para medidas que favoreçam a imagem do presidente Jair Bolsonaro para 2022, o malabarismo fiscal de Paulo Guedes e companhia flerta cada vez mais com o populismo, emulando o que o PT fez por tantos anos.

A esta altura, com as eleições batendo à porta, vale tudo para afiançar o que dá retorno político.

Que fique claro: o aumento do Bolsa Família - que se pretende asseverar com a elevação do imposto - é justo e necessário, sobretudo a julgar pelas condições deterioradas de renda e, ademais, com a inflação nas alturas. Os valores do programa, inclusive, estão defasados e não é de hoje que especialistas defendem a turbinada.

O velho jeitinho

No entanto, o Governo está tentando resolver o problema na base do 'jeitinho', seja com o IOF ou com a protelação do pagamento de precatórios.

Cabe lembrar ainda que outras ideias similares já foram aventadas no passado recente, como o esdrúxulo projeto de ressuscitar a nada saudosa CPMF, proposição que, volta e meia, reaparece nos corredores de Brasília.

Eis um sintoma persistente da falta de criatividade dos regentes da economia brasileira. Elevar impostos em um país mundialmente famoso pela mastodôntica carga tributária só serve para criar amarras ao crescimento.



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