Irã x EUA: mundo virou tabuleiro de ‘War’?

Radicalização de crise no Oriente Médio pode arremessar o mundo em tempestade de incertezas

Líderes intempestivos e decisões militares inconsequentes vêm ampliando perigosa e desnecessariamente as tensões mundiais. O desapego à diplomacia está transformando o mundo num tabuleiro de ‘War’, com a diferença de que o popular jogo de estratégia dos anos 1990 gerava, no máximo, briguinhas entre amigos, enquanto no mapa da vida real, as repercussões podem ser catastróficas.

O contra-ataque iraniano desferido após a execução do general Soleimani elevou o nível de alerta global.

Se os jogadores se contentarem com o empate de 1 a 1, como projetam os mais otimistas e deseja a famosa ‘turma do deixa disso’, é provável que as prejuízos à geopolítica, à economia e à vida se encerrem.

Assim sendo, Trump sairia fortalecido após sua jogada estratégica. Mas, caso um dos players, de posse dos dados em seu turno, resolva partir novamente para o ataque, uma destrutiva cadeia de eventos bélicos se formaria, o que pode ser extremamente danoso para a economia mundial, a qual já anda um tanto cambaleante.

O problema é que quaisquer exercícios de adivinhação, mesmo por parte dos mais maduros analistas, têm esbarrado no muro de imprevisibilidade que toma conta de algumas das maiores potências bélicas.

O imponderável se tornou demasiadamente habitual.

E o Brasil com isso?

Na escola do armamentismo, o País não passa da quinta série, portanto, é melhor se manter neutro na briga entre os valentões do Ensino Médio. Claro que, politicamente, há obrigação de apoio aos EUA, em virtude de algumas inclinações similares entre os comandantes do Planalto e da Casa Branca. Mas este apoio não deve ser irrestrito. 

Embora seja um gigante econômico, o País é pouco influente em decisões no tabuleiro de ‘War’. Está fora do Conselho de Segurança da ONU e deve voltar para sua vaga rotativa apenas em 2022. O lugar cativo pode nunca surgir.

E, do ponto de vista prático, a radicalização de humores no Oriente Médio tem tudo para desestabilizar o panorama inflacionário nacional, jogando para o alto os preços de combustíveis que, por aqui, já pesam bastante em nossos bolsos e influenciam a cadeia produtiva significativamente. 

Tomara que este jogo perigoso não termine da pior forma que ‘War’ acabava: com alguém perdendo a paciência e varrendo as peças do mapa.