PV: De estádio a hospital em tempo recorde

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Eu imaginei que já tinha visto de tudo no Estádio Presidente Vargas. Ali vi a época das arquibancadas e dos alambrados de madeira. Das cabines de rádios (só duas) também de madeira. Vi a época dos grandes bingos, que só pararam quando a Receita Federal proibiu. Vi a época dos shows. Benito de Paula, Xuxa, os sacerdotes cantores e outros mais lotaram essa praça esportiva. Vi o árbitro Adelson Leite Julião saltar de paraquedas e pousar suave no centro do gramado do estádio, todo pronto para dar início à partida. Vi a famosa hora do pobre que era esperada ansiosamente pelos que não podiam pagar ingresso naquela época. Acontecia, quando faltavam 15 minutos para terminar o jogo. Aí os portões eram abertos.

Vi os torneios-início, com desfile dos atletas e uma tarde/noite de jogos que duravam apenas meia hora (se empate, pênaltis definiam). Nas décadas de 1950/1960, eu vi o PV do sanduíche do "Marechal", da Dona Chaguinha, torcedora do Ceará, e da Dona Filó, torcedora do Ferroviário. Da charanga do Gumercindo, que era do Fortaleza. Vi o PV modernizado, que recebeu Neymar e companhia. Agora, o Hospital PV será exclusivo para receber pacientes vítimas do novo coronavírus.

Surpresa

Confesso que por essa eu não esperava. Ver o PV funcionando como hospital jamais passou pela minha cabeça. No mundo já vi, em situações adversas, estádios se transformarem em abrigo para vítimas de catástrofes como terremotos e furacões. Abrigos improvisados. Pequenas tendas, para ser preciso.

Execução

A pior mudança de finalidade de um estádio aconteceu no Estádio Nacional de Santiago do Chile, onde o Brasil em 1962 ganhou a sua segunda Copa do Mundo. Em 1973, há 47 anos, de local de futebol o estádio passou a cenário de prisão e execução de presos políticos, vítimas da ditadura de Augusto Pinochet. Um terror.

Estigma

Após 47 anos, ainda há no Estádio Nacional de Santiago no Chile o estigma da brutalidade que ali aconteceu. Algumas mudanças e melhorias foram feitas no estádio, visando a levar ao esquecimento as torturas praticadas no lugar. Não houve jeito. Quem entra hoje no estádio ainda sente a carga negativa que ficou para sempre.

Em boa hora, o narrador Antero Neto colocou no ar, no programa "A Grande Jogada", os presidentes do Ceará, Robinson de Castro, e do Fortaleza, Marcelo Paz. Ambos falaram das adaptações necessárias para o equilíbrio financeiro. Os dois muito sensatos.

Uma das passagens mais interessantes da entrevista foi ouvir de Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, de viva voz, a confirmação de que não haverá demissões no clube, por maiores que sejam as dificuldades financeiras. Nota mil, Marcelo.