Segredo da mulher de ministro é revelado em discussão de condomínio

Uma calcinha rosa, fio dental, foi encontrada na mão do zelador do edifício e, até desvendar o mistério, o trabalhador quase é vitimado por um terceiro pelo fatídico encontro com a lingerie

Legenda: A calcinha posta para secar na janela do escritório foi a grande vilã da história toda
Foto: Jeritza Gurgel

Achando pouco as milhares de atribuições que tenho, desde 2016, sou a síndica do edifício onde temos o nosso escritório. Motivada para administrar um imóvel onde mantenho alguns bens investidos, achei prudente tomar aquela responsabilidade para valorizar meu negócio. O fato é que, desde que assumi, a cada dois anos, meu mandado é renovado. Já são quase seis anos na função.

Administrando o condomínio sou daquelas pessoas que resolve. Coloco a mão na massa mesmo. Faço “blitz”. Jogo aberto e, muitas vezes, sou bem destemida. Procuro tudo para dar certo para todos os condôminos, mas as regras têm que ser respeitadas. Se não forem, chego junto, sem medo. Olho no olho.

Nesse meu jeitinho bem feminino de ser, outro dia fui bem importunada enquanto fazia audiência virtual.

- Marcílio, resolve aí, cara! “Tô” fazendo essa audiência.

Falei, “aos meus braços e minhas pernas”, Marcílio, que trabalha comigo há uns 20 anos.

- Dra., o negócio lá embaixo,” tá” complicado.

- “Homi”, chama aí o Italo e o Felipe para resolver isso contigo lá embaixo. Vocês são homens e a confusão fica mais paritária. Resolve, lá!

Uma confusão envolvia o zelador e um frequentador do posto ao lado. Tudo acontecia no átrio do nosso edifício. Na mão do zelador tinha uma calcinha de renda, modelo fio dental, na cor rosa pink e nenhuma gota mais de sangue no rosto.  

O acusador, parecia ter consumido um pouco mais de álcool que o normal, dizia que aquela calcinha era da mãe dele e queria uma satisfação do zelador. Já pensou?

Só sei que as pessoas, curiosas, começaram a juntar na frente do prédio e a discussão foi ficando mais acalorada. O acusador tentava partir para cima do zelador o tempo todo exigindo respostas sobre a calcinha da mãe dele.

Marcílio, meu menino prodígio, Dr. Felipe, e meu garoto, Dr. Ítalo, pediram reforços para o Dr. Paulo, o advogato. Recém-chegado da audiência, vinha de paletó atravessando a rua. O trio achou que seria o último suspiro para acalmar aquela animosidade.

Que nada! Aí foi que o “bebim” ganhou mais coragem e enfrentou o advogato, que, por sua vez, perdeu a paciência e já estava era para brigar junto, de tanta raiva que ficou com a ignorância do cidadão e de pena que estava do zelador.

Legenda: Da esquerda para direita; Dr. Italo Frota (meu garoto), Dr. Felipe Trazzi (meu menino prodígio), Dr. Paulo Roberto (o advoGato) e Marcílio (meus braços, minhas pernas, meu secretário e meu amigo/irmão), todos trabalham comigo no escritório formando uma família (ainda faltam na foto Dr. Ricardo e Dr. Rodolfo, que não participaram da história)
Foto: Jeritza Gurgel

Não teve jeito de me deixar fora dessa! Nem Marcílio, nem Dr. Felipe, nem Dr. Ítalo, nem Dr. Paulo, o advogato, nem o porteiro (que nessa hora estava escondido debaixo da mesa da portaria) e nem os frentistas do posto que só olhavam, não conseguiram tomar uma atitude digna de encerrar o assunto. E, olha, que essa minha turma é nota mil, viu? Meus "parceiraços".

Desço com o meu look “ganha audiência”, salto alto, loura escovada e me meto no meio daquela confusão.

- Vem cá, o que está acontecendo aqui?

Aquele silencio pairou o recinto de 90% homens.

Só o “bebim”, disse:

- Doutora, o problema é que esse cidadão está com a calcinha da minha mãe.

- Como é?

Peguei a calcinha da mão do zelador. Olhei para a calcinha, para o cidadão e tive uma imensa vontade de rir daquela confusão tão atrapalhada. Mantive a pose e meu olhar quase fuzilante para o contestante.

- Quantos anos tem a sua mãe?

- Vai fazer 90 no mês que vem.

- Tenha vergonha, rapaz! Tenho certeza de que você não sabe a cor da calcinha da sua mãe! Acabe com isso e vá embora, agora. Deixe de ser besta e criar confusão no meu condomínio que a gente tem que o que fazer.  Não posso mais perder tempo com essa sua besteira, não.

Disse mesmo, cheia de marra e sob os olhares de aprovação dos “bandos de frouxos” lá do prédio e do posto.

O briguento só disse um “tá certo, Dra. A senhora manda. Tô indo...desculpa, aí!” e foi embora na maior humildade.

Na boa, merecia era uma vaia daquelas bem cearenses.

O “macharal” presente colocava os beiços pra fora e dava aquela leve risada, aprovando a minha atitude. Depois, vieram comentar que se soubesse que o “caba” era “frouxo” daquele jeito, eles tinham feito aquilo logo. Olhai, o sujo falando do mal lavado?

Nisso, com a calcinha de não sei nem de quem na mão, sou surpreendida por uma inquilina de uma das salas, esposa de um Ministro da Eucaristia, daquelas que só mandava mensagem religiosa e terminava qualquer conversa abençoando a gente, sabe?  

- Dra. Jeritza, gostaria de conversar com a senhora, reservadamente.

- Pois, não.

- Essa calcinha que a senhora está na mão é minha!

Eu não acreditei!!!!!

Não é que ela não pudesse usar aquela calcinha, mesmo sendo um tamanho bem menor que o shape dela, mas a pureza daquela mulher nas mensagens diárias do grupo do aplicativo de mensagem do prédio formou uma identidade de santa, que jurava que ela jamais seria capaz de usar uma calcinha daquela. E mais, o que faria com aquela calcinha no ambiente onde só tem salas comerciais? Por que caiu no átrio do edifício?

Minha mente criativa começou a rodar em poucos segundos depois daquela confissão! Pobre mulher!

- É que meu marido adora quando uso essas calcinhas, mas não quer que nossos filhos e netos possam sonhar que nos divertimos de várias formas. Então, tenho em nosso escritório aqui um lugar onde guardo meus sex toys e lavo minhas calcinhas, tipo essa que pendurei para secar.

A revelação foi além daquilo que imaginei na vida para aquela pessoa.

Com a calcinha na mão, devolvi, imediatamente à dona. Depois, apesar dos pesares e do sufoco que ela deixou o pobre do zelador passar, pedi, como forma de penitência, que rezasse bem muito pela alma do trabalhador já que quase paga pela vida por ter achado aquele objeto de felicidade do casal.

Sabedora do prestígio da senhora no céu pela patente que o esposo ocupava na terra como ministro da eucaristia, certamente, o zelador estava com o anjo da guarda muito bem recomendado daí então!

Por fim, pedi que comprasse um estendedor de roupas de chão para as utilidades necessárias do casal.  Pendurar calcinhas na janela, never more! Nova regrinha para o regimento interno.  Vivendo e aprendendo.

No mais, tenho que dizer que adorei saber que tem casal que gosta de encontrar a sua magia, de ajoelhar e de rezar.

Só acho que não dá para achar que encontrar modos de sentir ou dar prazer seja pecado!

Fazer bem ao outro seja no sexo, ou seja rezando, é uma das formas mais fortes de demonstrar o amor.

Viva! Sinta! Seja feliz!

Dominguemos, amém!

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora.