Bitcoin supera marca de US$ 31 mil, mas especialistas indicam cautela por cenário nacional

Cenário nacional, com juros altos, e questões particulares da criptomoeda precisam ser consideradas pelos investidores

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Legenda: Bitcoin supera patamar de US$ 31 mil
Foto: Shutterstock

Relacionada às condições de mercado na China e nos Estados Unidos, o Bitcoin voltou a ultrapassar o patamar de US$ 31 mil — cotado a US$ 31.322,10 às 18h05 desta terça-feira (7). Apesar do movimento de valorização, especialistas ouvidos pela coluna apontaram que é preciso muita cautela para investir na criptomoeda, considerando as características voláteis do ativo e dos cenários nacional e internacional. 

De acordo com Fábio Matos, CEO da Metablock (companhia de marketplace de tokens), o resultado do Bitcoin nesta segunda-feira está atrelado aos resultados das bolsas nos Estados Unidos. Ele explicou que os ativos estão reagindo às últimas atualizações da política de juros do FED (Federal Reserve System), banco central no país. 

"O Bitcoin não deveria, porém, estar muito correlacionado com as bolsas americanas. Tanto o mercado de criptomoedas como de bolsa de valores, estão em queda, em uma tendência de baixa, muito pautado pela política monetária americana, que está subindo juros e retirando liquidez do mercado", disse Matos.

"Esse breve respiro parece ser apenas um repique, para que o mercado respire um pouco e depois volte a cair", acrescentou.

Já Alan Kardec, diretor de operações da Blockchain One (empresa especializada em modelagem de negócios baseada na tecnologia blockchain), destacou o relaxamento de ações relacionadas à pandemia na China. Ele afirmou que a redução de restrições no mercado asiático pode ter mudado o ânimo nos investidores, elevando o apetite ao risco. 

"Como as restrições na China diminuíram, um dos fatores foi isso, considerando a capacidade de liquidez no mercado asiático, dando essa positividade no começo da semana. Mas ainda estamos em um cenário em que a guerra na Ucrânia também traz muitos efeitos então é preciso ter cautela", disse. 

Efeitos do mercado de blockchain 

O diretor da Blockchain One afirmou que o investidor precisa estar atento, além de questões financeiras, aos projetos relacionados ao blockchain (tecnologia usada nas transações de Bitcoin) antes de decidir sobre fazer novos aportes. 

"Mesmo sendo uma alternativa, até com especialistas definindo algumas questões, é preciso ter muita cautela. Para investir em Bitcoin é preciso ter muitas informações, entender muito dos projetos em blockchain, até porque não é só a questão financeira que altera as cotações", explicou Kardec, destacando a importância da aceitação do mercado financeiro para a valorização do Bitcoin. 

Cenário nacional

Sobre o cenário brasileiro, Fábio Matos afirmou que o nível da taxa básica de juros (Selic) tem feito com que muitos investidores considerem a Renda Fixa como uma opção mais atrativa, focando na rentabilidade garantida. O cenário pode afastar investimentos em criptomoedas no Brasil em 2022, considerando o alto nível de volatilidade. 

Outro ativo financeiro que pode ganhar destaque, até mesmo considerando a renda variável, segundo Matos, é o dólar. Ele ressaltou o período eleitoral como um dos fatores a gerar a volatilidade.

"No momento, os investidores estão olhando para Renda Fixa, a taxa de juros base do Brasil, a SELIC está em 12,75% ao ano, isso tira muito dinheiro da renda variável, a fim de capturar uma boa rentabilidade com baixo risco, o dólar está dando boas oportunidades de compra no patamar de preço, que está a R$ 4,82, visto que o risco Brasil deve aumentar por ser um ano de eleições presidenciais", disse Matos.

"Já o Bitcoin está em um nível de preço igual a dez/2020, quando bateu a US 31 mil dólares, a meu ver uma grande oportunidade para quem está de fora do ativo, ou quem quer aumentar sua exposição, lembrando que investimentos em renda variável precisam de um longo tempo e paciência para tentar obter ganhos", completou.