Pobres de espírito x maniqueísmo ideológico

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Legenda: No Oriente Médio, existem civilizações milenares dominadas ainda por patriarcas de mentalidade atrofiada
Foto: Pexels

São raros os esforços acadêmicos para explicar os motivos pelos quais os países pobres não se sentem responsáveis pelas misérias que afetam as suas gentes. Na América Latina, raríssimos são os intelectuais que abordam os problemas da pobreza de determinadas sociedades sem culpar as nações ricas pelos fracassos seculares das nações pobres.  

Para certos núcleos da esquerda latino-americana, afetados pelo maniqueísmo ideológico que alimenta os conflitos entre ricos e pobres, os Estados Unidos, apesar de ser uma nação jovem, que se orientou, desde o princípio, para o trabalho, para a multiplicação de conhecimentos e para o domínio de tecnologias que culminaram no aumento da sua produtividade e da sua prosperidade, são sempre os alvos prioritários dos ataques desses núcleos.  

Quem tiver o cuidado de comparar os fundamentos que norteiam o pensamento e as ações das nações ricas e das nações pobres, verá que o tempo de existência de uma dada nação não foi nem é determinante para a sua transformação, e muito menos para o seu desenvolvimento e progresso. Citemos alguns exemplos, apenas para ilustrar:  

Há 3 mil anos, os fenícios já dominavam tecnologias de engenharia naval jamais vistas e seu desenvolvimento comercial foi tão intenso que se tornaram a maior potência comercial do planeta. Entre os séculos 10 e 1 a.C, os fenícios de Cartago (os cartagineses) eram os únicos povos que tinham o domínio total dos negócios de cabotagem sobre toda a orla do Mediterrâneo. E hoje a região em que viviam os fenícios, Líbano e Síria, são nações devastadas, empobrecidas e condenados a promover o êxodo de milhões de indivíduos.   

Na África, berço da humanidade, existem atualmente milhares de monarquias nacionais e subnacionais raquíticas, nas quais um indivíduo sozinho detém o poder supremo e é respeitado como chefe de estado ou soberano local. Por conta dessa dominação milenar, grande parte dos povos da África permanece ainda vivendo nas mesmas condições primitivas em que viviam os seus ancestrais há dois mil anos.  

No Oriente Médio, existem civilizações milenares dominadas ainda por patriarcas de mentalidade atrofiada, que estão arruinadas e há anos-luz em matéria de desenvolvimento, do jovem Estado de Israel, criado logo após a 2ª Guerra, em 1948.   

Portugal e Espanha se lançaram nas grandes navegações, descobriram, colonizaram, dominaram e expropriaram meio mundo, e hoje são nações insignificantes em termos geopolíticos e econômicos, quando comparadas com potências como os Estados Unidos, China, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Japão ou mesmo com os Emirados Árabes. 

Nos últimos 500 anos, a Europa era o agente motor do desenvolvimento e da modernidade e concentrava as nações mais ricas do planeta, mas, no final do século 20, a Ásia (outrora pobre e atrasada) passou a crescer e a se desenvolver de forma vertiginosa, superando os antigos impérios e nações europeias.  

A mesma lógica também vale para os indivíduos, dentre os quais, os mais nocivos e os que menos contribuem para engrandecer a vida, o Estado e a sociedade, são os pobres de espírito, ou seja, aqueles que pautam suas ações por ideias e pensamentos negativos em relação à liberdade de escolhas, ao lucro, à propriedade e riqueza. 

Esses são, em essência, indivíduos intoxicados mentalmente por ideologias desastradas que inevitavelmente induzem e introjetam na mente dos fracos e incapazes a aceitação tácita da dependência material ou espiritual, da acomodação e até mesmo da miséria como condição imposta pelos deuses ou pelos outros. 

Tais indivíduos podem ser facilmente identificados pelas suas ideias negativas em relação ao trabalho, ao progresso, aos prazeres e às transformações que ocorrem em todos os campos da vida, seja em sua casa, nas ruas, no trabalho ou mesmo nas redes sociais. 

Igualmente nocivos são aqueles e aquelas que procuram alguém para reclamar do cônjuge, da família, dos amigos, do emprego, do chefe, do salário, do governo, da vida e até mesmo do passado, do presente e do futuro. 

Mas os indivíduos mais prejudiciais são aqueles desdotados da vontade de se autodeterminarem na vida. Tais indivíduos nunca assumem os seus próprios erros, as próprias derrotas, omissões, culpas, frustrações e estão sempre procurando um culpado para justificar os seus fracassos, o seu imobilismo, a sua inutilidade social, intelectual e moral.  

Ouso afirmar que a generosidade e a solidariedade externa podem até ajudar uma dada sociedade a superar problemas circunstanciais, como no caso de guerras, calamidades, catástrofes e epidemias, mas nenhuma ação humana é tão eficiente, tão efetiva e tão duradoura para a superação de qualquer adversidade, quanto aquela em que seus líderes e os próprios indivíduos se capacitam e se erguem por si mesmos para superar as misérias, sem contar com as esmolas alheias.  

Tomemos hoje a sábia lição do escritor, Tom Corley, autor do livro Change Your Habits, Change Your Life: Strategies that Transformed 177 Average People into Self-Made Millionaires:  

“Não há e nem haverá PRÊMIO lotérico milionário que acabe com a POBREZA de espírito.”  

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.